A Anthropic afirmou, em relatório divulgado na quinta-feira (10), que usuários utilizaram o Claude para desenvolver armas, conduzir operações de espionagem digital, montar sistemas de vigilância e aplicar golpes. A empresa disse ter banido ou neutralizado várias contas envolvidas nas atividades.
Na China, um usuário ligado à Academia de Ciências Militares do Exército Popular de Libertação usou o chatbot para criar um sistema de guerra eletrônica capaz de classificar alvos e simular interferência de radar. O projeto incluiu 12 alvos em Taiwan, entre radares, baterias de mísseis e bases aéreas. Outros usuários no país pesquisaram sistemas antitorpedos para a Marinha chinesa e armas estrangeiras de micro-ondas de alta potência.
No norte do Iêmen, um grupo usou o Claude para desenvolver software para um foguete guiado, um míssil balístico com alcance de mais de 2.000 quilômetros e uma variante com veículo de planagem hipersônica. A Anthropic disse não ter encontrado evidência de arma operacional e afirmou: “Nossas salvaguardas bloquearam muitas de suas solicitações, mas não todas”.
A empresa também relatou o desenvolvimento, provavelmente na Rússia, de software para enxames de drones autônomos, além do uso do Claude por um gerente de compras para localizar intermediários na China e em Hong Kong e adquirir produtos europeus com possíveis aplicações militares. Entre os itens estavam magnetômetros alemães, wafers de grau espacial e sistemas de oxigênio para aviação.
Espionagem e vigilância
A Anthropic descreveu operações digitais contra cerca de 50 organizações, atribuídas a operadores de língua chinesa provavelmente baseados em Changsha. Também relatou phishing, invasão de redes Wi-Fi de hotéis e contas do WhatsApp contra alvos governamentais, militares e diplomáticos da Ucrânia, em atividade consistente com o grupo russo Midnight Blizzard.
Um operador ligado ao Irã usou dados públicos sobre militares, navios, aeronaves e imagens de satélite para recomendar alvos contra forças navais dos Estados Unidos. Outros casos envolveram a perfilagem de israelenses, norte-americanos e organizações da diáspora judaica.
Na China, o Claude teria sido usado para monitorar cardeais católicos, líderes cristãos de Taiwan, budistas tibetanos, dissidentes, ativistas e meios de comunicação estrangeiros. A Anthropic também identificou o rastreamento de uigures na Síria para obtenção de informações sobre unidades que haviam se juntado ao exército do país.
No Irã, a empresa afirmou ter banido 16 contas operadas por duas unidades ligadas a órgãos paramilitares e de segurança interna. No Mali, o sistema Lakana 360 teria sido criado para monitorar dados associados a cerca de 25 milhões de cartões SIM das três operadoras de celular do país.
O relatório ainda menciona cinco tentativas de apoiar o desenvolvimento de armas biológicas, incluindo pesquisas sobre chikungunya, gripe aviária, ortopoxvírus, venenos e toxinas. Em outro caso, uma operação sediada na China criou mais de 20 aplicativos de namoro com mais de 4.700 personas de IA, que interagiram com pelo menos 25 mil usuários.








