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Tecnologia

Maria Ressa propõe plataformas públicas e responsabilização de empresas de IA

Jornalista afirma que leis e medidas contra recursos que causam dependência são necessárias para preservar a autonomia das pessoas.

Maria Ressa propõe plataformas públicas e responsabilização de empresas de IA
Foto: Gwladys Fouche/Reuters

A jornalista Maria Ressa defendeu a criação de plataformas de comunicação voltadas ao interesse público e fora do controle das grandes empresas de tecnologia. A proposta, segundo ela, deve integrar a resposta aos riscos da inteligência artificial e das redes sociais.

Ressa citou o Rappler Communities, lançado pelo veículo de notícias Rappler em 2023. O aplicativo móvel usa o protocolo aberto, seguro e descentralizado Matrix para conectar a redação aos leitores e permitir a comunicação entre eles. O projeto foi ampliado com um convite a outros veículos de mídia filipinos e agora é estendido no Sudeste Asiático.

Para a jornalista, ambientes digitais desse tipo podem favorecer conversas e a escuta entre as pessoas. Ela também afirmou que grupos de interesse público deveriam desenvolver plataformas semelhantes, comparando a iniciativa à criação de obras públicas, como parques verdes.

A jornalista filipina e americana disse que as empresas de tecnologia precisam ser responsabilizadas pelos danos causados por seus produtos. Ela mencionou ações judiciais nos Estados Unidos que levaram a Meta a pagar até US$ 18 bilhões (R$ 92,7 bilhões) na próxima década e a restringir o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes.

Regulamentação e dependência

Ressa elogiou medidas da União Europeia e de países liderados pela Austrália para estabelecer limites de idade nas redes sociais, mas afirmou que essas ações não enfrentam o problema do uso de recursos que causam dependência entre adultos.

“Sabemos que isso é prejudicial, então vocês deveriam remover os recursos que causam dependência, não apenas para adolescentes, mas para todos nós”, disse. Ela acrescentou que a manipulação política não atinge somente os jovens.

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz afirmou que os cidadãos devem pressionar políticos pela aprovação de leis para regular a inteligência artificial. Para ela, a regulamentação está ligada à segurança pública, e não à liberdade de expressão.

“Pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública”, disse Ressa, que é copresidente do painel científico internacional das Nações Unidas sobre IA e cofundadora e presidente-executiva do Rappler.

As fases da inteligência artificial

Ressa afirmou que a tecnologia já existe há cerca de 70 anos e descreveu fases de impacto sobre o público. A primeira teria sido marcada pelas redes sociais, que captam a atenção, polarizam sociedades e isolam indivíduos. Depois, os chatbots passaram a explorar a intimidade e a biologia humana.

A etapa mais recente, segundo ela, envolve sistemas de IA agentiva e multiagentiva capazes de agir pelas pessoas. Ressa disse que, sem medidas imediatas, a sociedade pode perder o controle sobre essas tecnologias.

Ela rejeitou o argumento de que a regulamentação faria os Estados Unidos perderem a corrida tecnológica para a China. Também afirmou que a China oferece mais segurança a seus cidadãos do que o Vale do Silício ao restante do mundo e citou restrições de idade no TikTok disponível no país.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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