MENLO PARK (CALIFÓRNIA) — A Meta apresentou o Muse Charm, dispositivo portátil com tela de aproximadamente 2 polegadas (5 cm), modem 5G integrado e acesso direto ao agente Muse. O aparelho não faz chamadas, mas permite usar o serviço mesmo sem conexão Wi-Fi.
O dispositivo tem formato semelhante ao de um relógio de bolso e pode ser controlado com o polegar. No centro da tela, há um personagem Muse personalizável. Para abrir o agente, o usuário toca no aparelho, sem precisar recorrer a aplicativos de inteligência artificial instalados no smartphone.
A Meta também pretende disponibilizar o Muse em toda a linha de óculos inteligentes da empresa. A estratégia acompanha a mudança de prioridade de Mark Zuckerberg, que deixou em segundo plano a aposta no metaverso e passou a defender a chamada superinteligência pessoal como o principal avanço da companhia.
“Na verdade, está bastante claro que a superinteligência pessoal não só virá primeiro, como será muito maior e mais importante”, disse Zuckerberg durante a conferência anual Meta Connect. Ele afirmou ainda que a empresa mudou seu foco para desenvolver dispositivos voltados a essa tecnologia.
Dispositivo busca novos usuários
O lançamento ocorre após o Muse registrar milhões de downloads. Analistas avaliaram que o aplicativo pode ter tido o maior lançamento nos Estados Unidos desde a chegada do ChatGPT, em novembro de 2022.
As ações da Meta subiram mais de 3% nesta quinta-feira, depois de acumularem alta de quase 24% desde o lançamento do Muse, em 8 de setembro. A empresa pode adicionar cerca de US$ 56 bilhões em valor de mercado, após alcançar cerca de US$ 324 bilhões até o fechamento de quarta-feira (23).
Analistas veem possibilidade de interesse entre consumidores da geração Z, com idades entre 14 e 29 anos. Esse público costuma usar assistentes de IA como companheiros ou parceiros de conversa e interagir por meio de notas de voz e vídeos curtos.
Linda Sui, fundadora da Smart Analytics Global, afirmou que a combinação de inteligência artificial, moda e personalização pode atrair consumidores mais jovens, caso o produto seja acessível e fácil de usar. Jitesh Ubrani, diretor da IDC, disse que o aparelho pode interessar a pessoas que não querem usar óculos ou não confiam nesses dispositivos.
Ubrani também comparou o personagem personalizável aos bichinhos virtuais Tamagotchi, que fizeram sucesso no final da década de 1990. Segundo ele, o aparelho pode executar um pequeno modelo de linguagem localmente.
O potencial de alcance do Muse Charm ainda dependerá dos próximos meses. Produtos semelhantes tiveram resultados limitados: o Rabbit R1, lançado no início de 2024, perdeu força após oferecer recursos de IA considerados pouco confiáveis.
Sui avaliou que o Muse Charm pode permanecer como um produto desejado por primeiros usuários, e não atingir o mercado de massa, caso não ofereça funções difíceis de substituir por smartphones, relógios, fones de ouvido ou óculos inteligentes.








