São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00% São Paulo 18°C 17° / 24°
Brasil

Juros altos e dívida distinguem governos Lula e Bolsonaro, aponta comparação

Dados econômicos e sociais mostram diferenças em inflação, emprego, endividamento, crescimento e combate à fome entre os dois governos.

Juros altos e dívida distinguem governos Lula e Bolsonaro, aponta comparação
Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

A taxa básica de juros chegou a 15% ao ano durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em um cenário de aumento dos gastos públicos e alta do endividamento. Na gestão de Jair Bolsonaro, a dívida bruta caiu após o salto provocado pela pandemia, enquanto a inadimplência avançou em ritmo mais moderado.

Inflação e mercado de trabalho

O IPCA acumulou alta de 18,2% desde 2022 até agosto, abaixo dos 25,26% registrados no mesmo intervalo do governo Bolsonaro. A diferença também aparece nos alimentos e nas bebidas: o grupo subiu 44,2% entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, contra 17,1% nos 45 meses do atual governo Lula.

A inflação no período de Bolsonaro foi influenciada pela pandemia da Covid-19, pela guerra na Ucrânia e pela alta dos combustíveis. Em 2022, cortes de tributos sobre combustíveis e energia reduziram temporariamente o IPCA. No governo Lula, eventos climáticos, como o El Niño e as enchentes do Rio Grande do Sul, afetaram os preços dos alimentos.

Para Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, a distinção central entre as duas administrações está na atuação do Estado. “A gestão Bolsonaro, sob Paulo Guedes, apostou em uma agenda liberal: reforma da Previdência e autonomia do Banco Central.”

As duas gestões registraram queda do desemprego. No governo Bolsonaro, a taxa recuou 3,3 pontos percentuais, de 11,75% para 8,4%, depois de alcançar 14,9% no auge da pandemia. Com Lula, o indicador chegou a 5,1% em dezembro do ano passado, o menor nível da série da Pnad Contínua, e passou a renovar mínimas nos trimestres seguintes.

Crescimento e contas públicas

O Brasil estava na nona posição entre as maiores economias do mundo quando Bolsonaro assumiu, em 2019. O país terminou 2022 na 12ª colocação, após perder três posições. Lula recolocou o Brasil no top 10 em 2023, posição prevista também para este ano, com crescimento estimado em 2,4% pelo FMI.

O PIB caiu 3,3% em 2020, depois de crescer 1,2% no primeiro ano de Bolsonaro. A economia avançou 4,8% em 2021 e 3% em 2022. No governo Lula, o crescimento chegou a 3,4% em 2024, mas perdeu força no ano passado. A média anual foi de 1,43% na gestão Bolsonaro e deve ficar em 2,69% no atual mandato.

A DBGG alcançou 87,7% do PIB em novembro de 2020, durante a pandemia, e recuou para 72,9% ao fim do governo Bolsonaro. Com Lula, o indicador subiu 9,6 pontos percentuais e chegou a 82,85% em agosto deste ano, equivalente a R$ 11,1 trilhões.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia que houve enfraquecimento das regras fiscais nos dois governos. “O governo Bolsonaro destruiu a regra do teto, o governo Lula piorou a estrutura de gastos, e quem ganhar a eleição vai ter que fazer um ajuste fiscal significativo no ano que vem”, afirmou.

Os dois últimos superávits do país ocorreram nos dois últimos anos do governo Bolsonaro. Marx Gabriel, CEO da MB Consultoria, afirmou que o endividamento será um obstáculo para o próximo presidente e mencionou 2027 como o ano em que uma pressão fiscal pode se manifestar.

Inadimplência, Bolsa e indicadores sociais

O relatório do SPC Brasil e da CNDL registra mais de 75 milhões de brasileiros com débitos em atraso, o equivalente a 44,75% da população adulta. Desde o fim de 2022, 10 milhões de pessoas passaram a essa condição. Durante o governo Bolsonaro, foram 2,5 milhões de novos inadimplentes.

O Ibovespa subiu 69,8% de janeiro de 2023 até 30 de setembro de 2026 e chegou a 186.340,45 pontos. No período de Bolsonaro, a alta foi de 24,86%. Marx Gabriel relaciona o desempenho do mercado financeiro ao nível elevado da taxa Selic e ao risco fiscal.

No terceiro mandato de Lula, o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome da FAO. A parcela da população afetada por subnutrição ou falta de acesso à alimentação caiu para 2,5% no triênio 2022-2024.

A pobreza também recuou. Nos dois primeiros anos do atual mandato, 8,6 milhões de pessoas deixaram essa condição. Entre 2023 e 2024, a parcela da população com renda domiciliar per capita abaixo de US$ 6,85 por dia, ou de R$ 694 por mês, caiu de 27,3% para 23,1%. Em 2021, o indicador atingia 36,8% dos brasileiros, ou 76,97 milhões de pessoas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5