A parcela da Dívida Pública Federal (DPF) atrelada à Selic alcançou 51,07% em julho, o equivalente a R$ 4,74 trilhões de um total de R$ 9,29 trilhões. A participação é a maior dos títulos vinculados à taxa básica desde agosto de 2003, quando chegou a 51,3%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide amanhã (16) o novo nível dos juros. A expectativa do mercado é de uma redução de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Nesse cenário, o estoque da dívida governamental teria uma redução estimada em R$ 1,6 bilhão por mês, conforme cálculo de João Maurício Rosal, economista-chefe da Terra Investimentos.
Composição da dívida
As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos associados à Selic, aumentaram 3,87% em julho. A dívida indexada à taxa básica também concentrou R$ 124,11 bilhões das novas emissões, ou 62,6% das ofertas realizadas no mês.
As NTN-Bs, que combinam a variação da inflação com uma taxa fixa, cresceram 0,88%, de R$ 2,29 trilhões para R$ 2,31 trilhões. Já os títulos prefixados perderam espaço: as LTNs recuaram 11,52%, de R$ 1,28 trilhão para R$ 1,13 trilhão, enquanto as NTN-Fs caíram 2,51%, de R$ 663,8 bilhões para R$ 647,1 bilhões. Com isso, os prefixados passaram a representar 19,2% da dívida total.
Efeito dos juros
Nas últimas quatro reuniões do Copom, houve redução acumulada de 1 ponto percentual na Selic. Em julho, o estoque da dívida cresceu 0,22%, depois de ter aumentado 2,61% no mês anterior.
Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo, o impacto fiscal imediato dos cortes tende a ser pequeno, mas se acumula durante ciclos contínuos de redução dos juros. Ele também afirmou que a procura por papéis atrelados à Selic costuma crescer quando há expectativa de mudança nas taxas.
O Plano Anual de Financiamento 2026 elevou para entre 49% e 53% a parcela esperada da dívida vinculada à Selic. O documento anterior, de janeiro, previa uma faixa de 46% a 50%.
Com a revisão, a participação dos títulos prefixados foi projetada entre 20% e 24%, uma redução de 1 ponto percentual. Os papéis corrigidos pelo IPCA devem ficar entre 21% e 25%, queda de 2 pontos percentuais na faixa prevista.








