O volume de serviços prestados no Brasil ficou estável em junho e julho, pelo segundo mês consecutivo. A desaceleração reforça as expectativas de continuidade dos cortes da taxa Selic, embora o setor ainda opere próximo do recorde histórico.
A Pesquisa Mensal de Serviços mostrou que a atividade está 0,2% abaixo do pico registrado em outubro de 2025. Na comparação com o período pré-pandemia, o volume acumulou expansão de 20%.
O setor representa a maior parcela do desempenho do Produto Interno Bruto. No segundo trimestre, a economia brasileira cresceu 0,5%, enquanto os serviços avançaram 0,2% em relação aos três primeiros meses do ano. O crescimento acumulado em quatro trimestres foi de 1,7%, o menor desde o período entre abril e junho de 2021, quando ficou em 0,9%.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o cenário indica desaceleração, e não uma queda disseminada. Ele afirmou: “Olhando para juros ainda altos, crédito mais caro e consumo perdendo força, esse ritmo parece difícil de sustentar”. A taxa Selic está em 14% ao ano.
Inflação e juros
Os preços dos serviços pessoais subiram 0,35% em julho, a menor variação desde setembro do ano passado, quando haviam avançado 0,29%. Em 12 meses, a inflação do segmento acumulou alta de 6,1%, conforme o IPCA.
O Banco Central acompanha o comportamento dos serviços para definir a taxa básica. Na ata da 279ª Reunião do Copom, os diretores destacaram o arrefecimento dos preços, embora tenham apontado que a inflação do setor continua mais resistente.
André Valério, economista sênior do Inter, avalia que a desaceleração deve continuar nos próximos meses e entrar em 2027, permitindo novos ajustes na Selic.
A mediana das projeções do Relatório Focus prevê mais uma redução de 0,25 ponto percentual neste ano, levando a taxa para 13,75% ao ano. O corte é esperado para a reunião da semana que vem. As estimativas para o fim do ano variam de 12,75% ao ano a 14% ao ano.








