A expansão global das energias renováveis precisa mais que dobrar para alcançar a meta climática de 2030, aponta um relatório divulgado nesta segunda-feira (21). Embora a capacidade instalada tenha atingido nível recorde no ano passado, o ritmo continua abaixo do necessário.
Na COP28, realizada em Dubai em 2023, mais de 100 países concordaram em triplicar a capacidade mundial de energia renovável até 2030. No fim de 2025, a capacidade instalada chegou a 5,15 terawatts, menos da metade do objetivo de 11,2 TW.
O mundo acrescentou pouco mais de 690 gigawatts de capacidade renovável no último ano. Para cumprir a meta, será necessário elevar as instalações para cerca de 1.200 GW por ano, em média, até 2030.
A eletrificação envolve substituir tecnologias que queimam combustíveis fósseis diretamente por alternativas elétricas, como trocar sistemas de aquecimento a gás e veículos a gasolina. A eletricidade adicional necessária para enfrentar as mudanças climáticas deve vir principalmente de fontes como a solar e a eólica.
A eficiência energética também avançou menos do que o previsto. O índice melhorou cerca de 2% em 2025, enquanto o compromisso firmado na COP28 exige uma taxa anual de 4% para dobrar a eficiência energética.
Francesco La Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável, afirmou que as fontes renováveis ainda podem preencher a lacuna até 2030, mas que a eficiência energética está atrasada. Segundo ele, a demanda por eletricidade cresce mais rápido do que o esperado, enquanto a infraestrutura das redes não acompanhou o ritmo.
O relatório estima a necessidade de quase US$1 trilhão (R$ 5,11 trilhões) por ano em investimentos nas redes entre 2026 e 2030. Em 2025, foram aplicados US$525 bilhões (R$ 2,6 trilhões) nessa área.
Ben Backwell, presidente da Aliança Global de Energias Renováveis, defendeu que os governos tratem o setor como prioridade econômica nacional. Entre as medidas citadas estão ampliar as redes, instalar sistemas de armazenamento e eletrificar residências, transporte e indústria.
As negociações da COP31, previstas para novembro na Turquia, devem tratar da expansão do uso da eletricidade para mais setores. A presidência turca pretende defender voluntariamente a meta de que 35% do consumo final global de energia venha de fontes limpas até 2035.








