A manutenção da taxa básica de juros acima de dois dígitos há quatro anos e meio tem limitado as vendas do comércio, principalmente em atividades mais dependentes de crédito. O varejo recuou 0,8% em julho, depois de avançar 0,2% em maio e 0,3% em junho.
O resultado divulgado pelo IBGE deixou o setor 1,5% abaixo do pico da série histórica, registrado em março. Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, afirmou que o varejo voltou ao patamar de dezembro de 2025.
A taxa Selic caiu 1 ponto percentual neste ano, de 15% para 14% ao ano, mas o crédito continua caro e a política monetária ainda reduz a intenção de compra. Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, os juros elevados já freiam o consumo mais rapidamente que o esperado.
Desempenho das atividades
Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram queda em julho. Os maiores recuos foram registrados em móveis e eletrodomésticos, com 4,9%; livros, jornais, revistas e papelaria, com 4,2%; tecidos, vestuário e calçados, com 2,7%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 2,2%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 0,2%.
Na comparação com julho de 2025, o varejo cresceu 1,2%, mas desacelerou em relação à alta de 2,8% registrada em junho. Houve quedas em tecidos, vestuário e calçados, de 4,7%; eletrodomésticos, de 3,6%; móveis, de 2,7%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, de 2,3%; material de construção, de 2%; livros, jornais, revistas e papelaria, de 1,7%; e combustíveis e lubrificantes, de 0,5%.
Os segmentos mais sensíveis ao crédito recuaram 0,2% em julho, depois de queda de 1,5% em junho. As atividades mais dependentes da renda tiveram retração de 0,4%, revertendo a alta de 0,3% do mês anterior, segundo Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina.
Na comparação anual, os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos lideraram os avanços, com 4,7%. Também cresceram hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 2,9%, e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com 2,5%.
O desempenho do comércio também entrou nas expectativas para a reunião do Copom, que ocorreria nesta quarta-feira (16). O mercado projetava o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Analistas afirmaram que uma redução ajudaria, mas não mudaria rapidamente o cenário, devido ao custo do crédito e à defasagem da política monetária.








