O número de denúncias de agressão sexual em Ceuta chegou a 35 desde a entrada irregular de imigrantes ocorrida entre 30 e 31 de julho. O dado foi divulgado nesta terça-feira (15) por fontes do Ministério Público Superior da Andaluzia, Ceuta e Melilla.
O total mais que dobrou em menos de um mês. Em 27 de agosto, havia 16 denúncias registradas. Quatro dias depois, eram 23. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da Espanha havia informado a abertura de mais de 30 processos desde a entrada irregular, com vítimas menores desacompanhadas em 40% dos casos.
Ana Tárrago, procuradora superior da Andaluzia, definiu a situação como “difícil, complexa e insustentável” e pediu uma “intervenção contundente” do Estado espanhol e de organismos internacionais. Ela relacionou a gravidade do cenário à capacidade limitada de acolhimento de Ceuta durante o verão.
O Ministério Público ampliou a equipe que acompanha a crise. De acordo com Tárrago, integrantes reforçados do órgão mantêm contato permanente com representantes do Ministério Público em Ceuta.
Entrada de imigrantes
A crise começou em 30 de julho, quando milhares de pessoas cruzaram irregularmente a fronteira entre Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O Ministério do Interior espanhol afirmou depois que entre 50 mil e 60 mil imigrantes entraram na cidade naquele dia e atribuiu o fluxo ao estímulo de redes de tráfico de pessoas. Posteriormente, Madri e Rabat anunciaram o reforço da cooperação para impedir novas entradas.
A chegada afetou principalmente a estrutura de atendimento a crianças e adolescentes. Na sexta-feira (11), a Procuradoria-Geral da Espanha e o Ministério da Juventude e Infância acertaram medidas para acelerar a transferência de menores para a Espanha continental. O governo reservou 500 vagas para a remoção de parte deles de Ceuta.








