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Munições da PM paulista são identificadas em crimes desde 2012

Códigos de dois lotes comprados em 2005 e 2007 apareceram em homicídios em São Paulo, Londrina, São Gonçalo e Itaquaquecetuba.

Munições da PM paulista são identificadas em crimes desde 2012
Foto: Reprodução

Cápsulas de dois lotes de munição comprados pela Polícia Militar de São Paulo foram identificadas em crimes registrados desde 2012, incluindo chacinas e a morte do advogado Carlos Alves Vieira, conhecido como Ferrugem, em novembro de 2025. O levantamento é do Instituto Sou da Paz.

Os códigos AAE67 e BAY18 estavam em munições encontradas no carregador de uma pistola Glock 9mm atribuída a Vieira. A arma foi apresentada por policiais da Rota, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, após o advogado ser baleado.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Civil segue investigando a ocorrência, incluindo as munições utilizadas. O caso está sob sigilo no setor de homicídios em Mogi das Cruzes. O inquérito da Corregedoria da PM foi enviado à Justiça Militar e depois encaminhado à Justiça comum, onde continua em tramitação.

Lotes e ocorrências

O lote AAE67 foi comprado em 2005 e reunia 438 mil munições de calibre 9mm. O BAY18 foi adquirido em 2007, com 320 mil munições de 9mm e 1,4 milhão do tipo .40. Os dois lotes descumpriam uma portaria do Exército de 2004, que limitou a 10 mil munições cada código para facilitar o rastreamento de desvios.

As munições dos lotes foram encontradas em uma chacina em Osasco em 8 de setembro de 2012. Entre 25 e 27 de outubro daquele ano, mais de 30 assassinatos ocorreram em cerca de 48 horas na região metropolitana de São Paulo, principalmente em Osasco e Carapicuíba. As ocorrências com munição dos lotes continuaram até janeiro de 2013.

Cartuchos também apareceram na chacina de Osasco e Barueri, em agosto de 2015, que deixou 17 mortos. Dois policiais militares foram condenados pelo caso. Um guarda municipal condenado em primeira instância foi absolvido depois.

Em janeiro de 2016, munições de um dos lotes foram identificadas no ataque que matou 11 pessoas em Londrina. Dez vítimas foram assassinadas durante a noite e a madrugada de 29 e 30 de janeiro, após a morte de um policial militar. Seis PMs foram presos temporariamente, e dois foram levados a júri popular e absolvidos.

Também foram encontrados cartuchos dos lotes em um duplo homicídio em São Gonçalo, em 2015. A investigação apontou disputa entre facções como motivação. Dois homens foram denunciados e absolvidos pelo Tribunal do Júri.

Rastreamento

Fabricantes devem gravar códigos alfanuméricos nas cápsulas vendidas às polícias e às Forças Armadas. Munições compradas no mercado civil não precisam dessa identificação. O Sou da Paz reúne os dados por meio da Lei de Acesso à Informação e de outras fontes públicas, mas não existe uma base unificada das compras feitas pelas forças de segurança.

Na pistola atribuída a Vieira, a perícia encontrou ainda cápsulas com os códigos ABC81, AAF67 e BNT84. O lote BTN84 foi comprado pela Polícia Federal e tinha mais de 6 milhões de munições com o mesmo código. Não há informações públicas sobre os outros dois lotes.

Bruno Langeani, consultor sênior do Sou da Paz, afirmou que a ausência de uma lista pública dificulta a cobrança por desvios e as investigações. Um pedido para obter os códigos de todas as munições vendidas às forças de segurança está em análise pela Casa Civil da gestão Lula há cerca de dois anos.

Investigação sobre a morte

Policiais disseram ter apreendido duas armas no carro de Vieira. A Glock 9mm não aparece nas imagens das câmeras corporais; apenas uma pistola Taurus calibre 380 é visível. Uma câmera de segurança registrou um PM mexendo no banco traseiro de uma viatura da Rota e depois no porta-malas do carro. Horas mais tarde, uma mochila com 12 tijolos de maconha foi encontrada no compartimento.

A gravação das câmeras corporais começou mais de seis minutos depois dos tiros. O laudo indicou que a numeração original da Glock havia sido raspada e substituída por um código falso. Na Taurus, o número foi completamente apagado. Por isso, não foi possível rastrear a origem das armas.

A Ouvidoria das Polícias contestou a afirmação do governo paulista de que Vieira integrava o PCC. Recém-aprovado na OAB, ele era sócio de lojas de peças de motocicleta e de uma empresa de logística. Vieira havia sido investigado por tráfico de drogas a partir de 2015, sem ser indiciado, e foi denunciado e processado por furto em 2009, mas não condenado.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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