A atividade econômica da Argentina caiu 2,9% em julho, na comparação com junho, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta quinta-feira (24/9). Foi a maior retração mensal desde o início da pandemia de covid-19.
O Estimador Mensal de Atividade Econômica (Emae) também recuou 1,4% em relação a julho de 2025. Foi a primeira queda nessa comparação desde fevereiro. Em junho, o indicador havia avançado 3,1%.
Mesmo com o resultado negativo, a economia acumula alta de 1,7% nos primeiros sete meses de 2026. O crescimento desacelerou 0,5 ponto percentual em relação ao acumulado até junho. Já o indicador de tendência-ciclo, que desconsidera oscilações de curto prazo, subiu 0,2% em julho.
Dos 15 setores que integram o Emae, oito registraram queda na comparação anual. As maiores retrações foram observadas no comércio atacadista, varejista e de reparações, com -5,1%; na indústria de transformação, com -4,6%; na construção, com -3,3%; na intermediação financeira, com -3%; e em transportes e comunicações, com -1,5%.
Comércio e indústria reduziram, juntos, 1,3 ponto percentual do resultado anual. Entre os sete setores que cresceram, os destaques foram pesca, com +424,5%; mineração, com +8,4%; e agropecuária, com +0,7%. Esses segmentos contribuíram com 1 ponto percentual, mas não compensaram as perdas dos demais setores.
O ministro da Economia, Luis Caputo, atribuiu o resultado a “diferentes choques transitórios que afetaram vários setores da atividade”. Ele citou a menor disponibilidade de gás para a indústria de transformação, chuvas e nevascas acima das médias históricas e a redução das horas trabalhadas em alguns setores durante a Copa do Mundo.
Pobreza
Dados divulgados pelo Indec mostram que a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, ante 28,2% no segundo semestre de 2025. De acordo com a Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), 15,4 milhões de argentinos vivem nessa condição, cerca de 2 milhões a mais que no semestre anterior.
A taxa interrompeu três semestres consecutivos de queda. Entre crianças, passou de 41,3% para 44,5%. A extrema pobreza subiu de 6,3% para 7,5%.
Caputo afirmou que, apesar da alta em relação ao semestre anterior, os indicadores melhoraram ante o primeiro semestre de 2024. Segundo ele, a pobreza caiu de 52,9% para 32,3%, enquanto a extrema pobreza recuou de 18,1% para 7,5%.








