São Paulo, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,21 · Euro R$ 5,93 · Ibovespa 182.991 +0,00% São Paulo 19°C 19° / 33°
Brasil

Mensagens apreendidas serão avaliadas antes de decisão sobre atuação de Gonet

Conselho Superior do MPF examina se há elementos para afastar o procurador-geral dos procedimentos ligados ao Banco Master.

Mensagens apreendidas serão avaliadas antes de decisão sobre atuação de Gonet

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro serão um dos elementos analisados pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) nesta sexta-feira (25). O colegiado avaliará se Paulo Gonet deve continuar à frente dos procedimentos relacionados ao Banco Master e se há motivos para adotar outras providências.

O procedimento começou com uma representação apresentada por deputados do Partido Novo em 2 de setembro. O pedido solicita o afastamento de Gonet dos casos ligados ao banco e a designação de um subprocurador-geral da República para atuar neles. A alegação é que as referências ao procurador-geral nas mensagens podem comprometer sua imparcialidade.

A análise não corresponde, neste momento, a uma acusação criminal nem a um processo administrativo disciplinar. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino.

As referências nas mensagens

A PF identificou diálogos em que Vorcaro menciona “Paulo e Andrei” e “Gonet”. A interpretação foi de que as referências diziam respeito a Paulo Gonet e a Andrei Rodrigues. Em março de 2025, o advogado Ciro Soares enviou a Vorcaro uma foto com Gonet e escreveu: “ele quer falar com você”. Depois, foram registradas quatro chamadas de voz.

Gonet também aparece em conversas relacionadas a um evento em Londres, em abril de 2024. Por meio de terceiros, teria respondido ao convite com “Oba! Tomara que tenha charuto e Macalan” e pedido que seu filho participasse da viagem.

O procurador-geral confirmou ter encontrado Vorcaro no evento, mas afirmou que o encontro foi breve e ocorreu em uma ocasião jurídica patrocinada pelo Banco Master. Em 15 de setembro, durante sessão no Supremo Tribunal Federal, Gonet declarou: “Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”. Também disse que não há registro de contato direto dele no celular do ex-banqueiro.

Outra mensagem, enviada ao contato “Alexandre de Moraes”, afirma que o Banco Master estava em boa situação econômica e que o Banco Central estaria sendo pressionado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Vorcaro pediu reforço junto a “Andrei e Paulo” e, depois, enviou nomes de procuradores, agentes da PF e delegados.

Possíveis decisões

O Conselho pode arquivar o procedimento caso considere insuficientes as informações para afastar Gonet dos casos. Também pode determinar diligências complementares ou entender que há elementos para retirá-lo especificamente dos procedimentos relacionados ao Banco Master.

Uma eventual saída desses casos não significaria a perda do cargo de procurador-geral da República. Se forem identificados indícios de crime comum, poderá ser designado um subprocurador-geral para examinar o inquérito, as peças de informação ou a representação. A Lei Complementar 75/1993 prevê a possibilidade de requisição de diligências, arquivamento ou apresentação de denúncia ao STF, conforme a avaliação dos elementos.

O advogado Arthur Bezerra de Souza Junior afirma que a análise deverá verificar se as mensagens correspondem a contatos ou interferências efetivamente ocorridos. Entre os pontos a esclarecer estão a extensão da relação entre Gonet e Vorcaro, eventual acesso a informações sigilosas e possíveis atos de favorecimento.

Uma investigação também poderia levar as defesas dos envolvidos a questionar provas relacionadas a atos do procurador-geral. Para o advogado Luiz Gustavo Cunha, o reconhecimento formal de falta de imparcialidade poderia fundamentar questionamentos sobre manifestações, requerimentos ou decisões processuais ligados à atuação de Gonet.

Diferença entre afastamento e perda do cargo

O CSMPF não pode, sozinho, destituir Gonet da função de procurador-geral. A Constituição prevê iniciativa do presidente da República e autorização da maioria absoluta do Senado Federal para a destituição.

O mandato atual começou em 19 de dezembro de 2025, após recondução pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovação do Senado. A previsão é de permanência no cargo até dezembro de 2027.

Gonet é subprocurador-geral da República e tem vitaliciedade como integrante da carreira do MPF. A perda desse cargo efetivo depende de sentença judicial transitada em julgado. Já a função de procurador-geral corresponde a um mandato de dois anos, e uma eventual saída da PGR não implicaria, por si só, a perda do cargo de carreira.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5