O risco-país do Brasil caiu para 110 pontos na sexta-feira, 9 de outubro, o menor nível em seis anos. O indicador é medido pelo CDS, um seguro contra calote, e passou a refletir expectativas mais favoráveis dos investidores após o primeiro turno das eleições presidenciais.
A avaliação do mercado considera a possibilidade de uma gestão com políticas econômicas liberais e reformas a partir de 2027. A liderança de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e a eleição de uma bancada conservadora robusta estão entre os fatores associados a essa perspectiva.
Congresso e cenário fiscal
O PL elegeu 121 deputados federais, enquanto uma base governista projetada alcança 203 cadeiras na Câmara. Também há a possibilidade de um bloco de até 43 senadores liberais. Essa composição é vista como capaz de reduzir os custos de articulação política e facilitar a aprovação de reformas estruturais.
A expectativa é que pautas de austeridade avancem e que o atual arcabouço fiscal seja substituído por limites de endividamento mais rígidos. A eleição de governadores aliados em estados como São Paulo e Minas Gerais também foi apontada como sinal de um ambiente político favorável a essa mudança.
Efeitos sobre juros e dívida
A redução do risco-país pode diminuir os juros futuros, permitindo ao governo refinanciar a dívida a um custo menor. Para as empresas, o cenário abre espaço para captações com taxas mais baixas e prazos mais longos. Esse movimento possibilitou recentemente um leilão recorde de títulos públicos pelo Tesouro Nacional.
Se a trajetória continuar, o Banco Central poderá ter mais espaço para reduzir a taxa Selic. A queda dos juros tende a aliviar o endividamento das famílias e estimular o consumo e o investimento privado.
A manutenção desse cenário depende, porém, do enfrentamento de problemas fiscais. A dívida pública chegou a 82,9% do PIB, e o ajuste exigiria cortes permanentes de gastos, não apenas aumento de impostos. Despesas obrigatórias com saúde e educação consomem quase todo o orçamento, deixando pouco espaço para investimentos.
Pautas políticas polêmicas e dificuldades para formar a equipe econômica também podem desorganizar a base aliada. Nesse caso, o dólar pode voltar a subir e investidores estrangeiros podem retirar capital.








