O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. O plenário do STF também vai analisar, em 15 de setembro, o pedido de investigação contra Moraes.
As decisões foram tomadas depois de manifestações de André Mendonça, Moraes, Flávio Dino, Paulo Gonet e Rodrigues sobre um relatório de inteligência da PF. Na resposta apresentada nesta 6ª feira (11.set.2026), o diretor-geral negou que o documento tenha resultado de espionagem ou investigação ilegal.
Rodrigues afirmou a Fachin que o relatório sobre Mendonça só foi compartilhado por ordem expressa de Moraes, que era o relator do inquérito das fake news. Ele também disse que as atividades de inteligência da corporação são lícitas e não devem ser confundidas com investigações criminais.
“Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. advogado-Geral da União”, declarou Rodrigues. Segundo ele, os documentos não foram produzidos a partir de vigilância, coleta clandestina de dados ou medidas invasivas.
Argumentos da defesa
Em documento de 17 páginas, Rodrigues classificou como “interpretação equivocada” a decisão de Mendonça que o afastou cautelarmente do cargo na 3ª feira (8.set.2026). O diretor-geral afirmou que relatórios de inteligência não atribuem fatos às pessoas e que o material questionado reunia análises de cenários baseadas em informações e interesses jornalísticos.
Rodrigues disse ainda que o relatório tinha identificação adequada. A ausência de assinatura, segundo ele, ocorreu por causa do dever de proteção dos profissionais de inteligência. Para o diretor-geral, os documentos foram elaborados com autonomia pelos policiais e são legítimos.
A crise começou em 1º de setembro, quando Mendonça tornou público um relatório que apontava conversas entre Daniel Vorcaro, fundador do Master, e Moraes. O documento também registrava contratos do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes e diálogos sobre as investigações de fraudes no banco.
No mesmo dia, Paulo Gonet pediu a nulidade do relatório. Em 3 de setembro, Moraes pediu a investigação de Mendonça por “abuso de autoridade”. Na 6ª feira (4.set.2026), Fachin reuniu os pedidos em uma única petição e solicitou esclarecimentos aos envolvidos.
Depois de Mendonça afastar Rodrigues, na 3ª feira (8.set.2026), Flávio Dino o reintegrou à chefia da PF na 4ª feira (9.set.2026). Fachin suspendeu as duas decisões relacionadas ao afastamento e à reintegração, mantendo Rodrigues no cargo.








