A proposta que será votada nesta semana pelo Senado Federal prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte nos salários. As projeções citadas no debate apontam possíveis efeitos sobre os custos das empresas, o emprego formal e os preços ao consumidor.
Com a manutenção do salário e menos horas trabalhadas, o custo de cada hora paga pelas empresas subiria cerca de 10%. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a despesa adicional para o setor produtivo ficaria entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões por ano.
Para cobrir os horários deixados vagos, as empresas poderiam contratar novos funcionários, recorrer a horas extras ou investir em máquinas. A avaliação de especialistas é que essas alternativas aumentariam os gastos de produção, com possibilidade de repasse para os preços.
Efeitos sobre o emprego
Projeções indicam que mais de 600 mil empregos com carteira assinada poderiam ser eliminados. O impacto seria maior sobre negócios pequenos, que teriam menos capacidade para absorver o aumento das despesas com pessoal.
Também é apontado o risco de crescimento da informalidade. Entre as possibilidades estão a substituição de empregados fixos por trabalhadores sem registro ou prestadores de serviços terceirizados, além de maior rotatividade e contratação de pessoas novas por salários menores.
Preços e setores afetados
Comércio, turismo e serviços estão entre os setores mais expostos porque dependem da presença contínua de trabalhadores. Hotéis, restaurantes, salões de beleza e empresas de vigilância são citados como atividades que teriam dificuldade para compensar a redução da jornada apenas com automação.
A estimativa é que produtos vendidos em supermercados e serviços desses segmentos tenham alta de até 13%. O repasse ocorreria porque empresas em mercados competitivos teriam dificuldade para absorver sozinhas a elevação da folha de pagamento.
As projeções também apontam uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a quase R$ 77 bilhões a menos em circulação na economia.








