SÃO PAULO — O chairman do BTG Pactual, André Esteves, defendeu a redução da Selic de 14% para 7% e afirmou que uma nova PEC de transição deveria ser apresentada em novembro, durante a formação do próximo governo. Para ele, o ajuste fiscal depende de disposição política, mas não exige uma fórmula inédita.
Esteves disse que o equilíbrio das contas públicas deve combinar redução de despesas com medidas de receita, sem aumento da carga tributária. Entre as possibilidades, citou a revisão do volume de títulos isentos de impostos e mudanças para tornar o gasto público mais eficiente.
O banqueiro classificou como negacionismo econômico a ideia de que exista alternativa ao ajuste fiscal. Na avaliação dele, a política fiscal e a monetária funcionam como um carro em que o motorista acelera e freia ao mesmo tempo: com as contas equilibradas, seria necessário um esforço menor para reduzir os juros.
Agenda para o próximo governo
Esteves afirmou que a PEC não deveria esperar janeiro. Também disse que as medidas necessárias poderiam ser aprovadas pelo Congresso e citou as reformas trabalhista, previdenciária e tributária como exemplos de mudanças estruturais aprovadas em cenários de baixa popularidade presidencial ou de pouca representação do governo no Congresso.
Para ele, o principal risco atual para o Brasil é institucional, mais do que econômico. A preservação das instituições, segundo o banqueiro, é necessária para garantir segurança aos investimentos e ao funcionamento do setor privado.
Esteves afirmou ainda que o país precisa elevar a taxa de investimento. O setor privado, disse, pode superar 20% caso existam condições econômicas, políticas e institucionais favoráveis. Atualmente, o índice está perto de 16%. Juros menores, previsibilidade e regulação técnica foram apontados como fatores capazes de estimular esse movimento.
Disputa presidencial
Sobre a eleição, Esteves afirmou que o 2º turno deve ser decidido por margem estreita e está virtualmente empatado. Ele vê uma leve vantagem da direita entre os eleitores mais propensos a votar e disse que pequenas variações podem mudar o resultado.
O banqueiro também avaliou que a quantidade de eleições estaduais resolvidas no 1º turno pode influenciar a disputa nacional pelo efeito sobre a abstenção. Segundo ele, esse padrão de vantagem da direita entre os eleitores mais propensos a votar foi observado nas 3 últimas eleições presidenciais brasileiras.
Esteves defendeu medidas de eficiência, e não necessariamente um grande corte linear de gastos. Ele citou regras que obrigam governos locais a destinar recursos a determinadas áreas mesmo quando as necessidades da população são outras.
Ao falar sobre o país até 2030, afirmou que a redução estrutural dos juros seria a principal transformação econômica necessária. Na avaliação dele, a queda para 7% mudaria o patamar de investimento e crescimento, em um processo comparável à estabilização promovida pelo Plano Real nos anos 1990.








