O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (13) a acusação de 14 pessoas por um esquema que teria permitido a norte-coreanos obter empregos remotos em mais de 70 empresas americanas. A fraude teria movimentado cerca de US$ 3 milhões, com parte dos salários enviada ao regime de Kim Jong-un.
Entre os acusados estão cidadãos americanos e chineses. Michael James Bostelle, da Pensilvânia, e Juan Cecilio Pena Carrillo, do Texas, foram presos. Eles são investigados por envolvimento na fraude, lavagem de dinheiro e uso de documentos de identidade pertencentes a outras pessoas.
Como o esquema funcionava
De acordo com o Departamento de Justiça, a operação ocorreu entre 2019 e julho de 2025. Os trabalhadores norte-coreanos usavam documentos falsos ou roubados e ferramentas digitais para fazer parecer que atuavam dentro dos Estados Unidos. As vagas eram principalmente na área de tecnologia e permitiam o trabalho remoto.
Pessoas que viviam nos EUA recebiam os computadores enviados pelas empresas e instalavam programas para possibilitar o acesso à distância. Com isso, os norte-coreanos trabalhavam de outros países sem revelar sua localização real aos contratantes.
As empresas atingidas atuavam nos setores de saúde, comunicação, segurança digital, comércio e indústria. Os salários eram transferidos posteriormente para contas ligadas à Coreia do Norte. Investigadores acreditam que parte dos recursos tenha sido destinada a organizações do regime submetidas a sanções internacionais.
Operação e alertas
O FBI fez buscas no Texas entre 21 e 25 de setembro. A operação alcançou mais de 40 residências e resultou na apreensão de aproximadamente 187 computadores, além de outros equipamentos usados para manter os falsos funcionários conectados às empresas.
John Eisenberg, procurador-geral assistente para Segurança Nacional dos EUA, afirmou que a Coreia do Norte usa redes desse tipo para arrecadar dinheiro para atividades ilegais, incluindo o desenvolvimento de armas que podem ameaçar os Estados Unidos e seus aliados.
O FBI também alertou que trabalhadores ligados ao regime podem acessar informações confidenciais e, em alguns casos, usar esses dados para extorsão. As autoridades continuam investigando outras redes semelhantes no país.









