O Fundo Monetário Internacional (FMI) autorizou a liberação imediata de cerca de US$ 138 milhões para El Salvador após concluir duas revisões do programa econômico do país. A instituição afirmou que a atividade econômica vem superando as expectativas, com melhora na segurança e aumento da confiança dos investidores.
O desembolso integra o acordo de financiamento de US$ 1,4 bilhão aprovado em 2025. Os recursos foram destinados ao apoio das contas públicas e ao reforço das reservas internacionais de El Salvador.
Em setembro, técnicos do FMI elevaram para 4,5% a previsão de crescimento da economia salvadorenha em 2026. O desempenho também foi associado ao aumento dos investimentos e do consumo privado, além da entrada de remessas do exterior, turistas e capital.
O Fundo disse que o ajuste fiscal promovido pelo governo de Nayib Bukele avançou de acordo com os objetivos do programa. As reservas e os níveis de liquidez ficaram acima das metas previstas.
Dan Katz, primeiro vice-diretor do FMI, afirmou que o programa apresenta “benefícios tangíveis”. Segundo ele, o crescimento do PIB superou as expectativas, os indicadores sociais melhoraram e as reservas fiscais e externas foram reforçadas.
O acordo entre El Salvador e o FMI tem duração de 40 meses e prevê acesso a aproximadamente US$ 1,4 bilhão, condicionado ao cumprimento de metas fiscais, financeiras e de reformas econômicas. Parte do dinheiro apoia o orçamento do governo e reforça depósitos públicos no Banco Central. Outra parcela é direcionada ao próprio banco para ampliar as reservas internacionais.
Cobranças sobre o bitcoin
Apesar da avaliação positiva, o bitcoin continua sob cobrança do FMI. Pelo acordo de 2025, o governo se comprometeu a não usar recursos públicos para aumentar suas reservas da criptomoeda e a reduzir a participação do Estado nas operações. A aceitação do bitcoin pelo setor privado passou a ser voluntária, e os impostos devem ser pagos apenas em dólares.
O programa também prevê a saída do governo da Chivo, carteira digital criada pelo Estado para estimular o uso do bitcoin. O controle majoritário da plataforma foi transferido para uma empresa privada.
Na revisão divulgada nesta quinta-feira (1º), o FMI informou que uma meta relacionada ao bitcoin não foi cumprida. O setor público não poderia ampliar voluntariamente a quantidade da criptomoeda sob seu controle. Mesmo assim, o Fundo aceitou as medidas corretivas apresentadas pelo governo e autorizou o novo desembolso.
As autoridades salvadorenhas disseram que o aumento de bitcoins nas carteiras públicas ocorreu por meio de doações privadas, sem uso de dinheiro público. O governo entregou documentos para comprovar a origem dos ativos.
O FMI afirmou que não espera novos aumentos nas reservas além das doações documentadas e que continuará cobrando transparência sobre os ativos digitais mantidos pelo setor público. El Salvador transformou o bitcoin em moeda de curso legal em 2021.








