Autoridades dos Estados Unidos avaliam que os expurgos promovidos por Xi Jinping na cúpula das Forças Armadas chinesas atrasaram a preparação para uma eventual invasão de Taiwan. Para Washington, tornou-se menos provável que Pequim tente tomar a ilha pela força antes de 2028.
Há anos, autoridades americanas afirmam que Xi determinou que o Exército chinês estivesse pronto até 2027 para conquistar Taiwan pela força, caso recebesse essa ordem. A remoção de generais de posições estratégicas, acompanhada de investigações por corrupção e violações disciplinares, é apontada como um dos obstáculos ao cumprimento da meta.
Entre os oficiais atingidos estão Zhang Youxia, ex-vice-presidente da Comissão Militar Central, e Liu Zhenli, que comandava o Departamento do Estado-Maior Conjunto. Zhang foi investigado em janeiro deste ano e depois expulso do Partido Comunista Chinês e das Forças Armadas. Liu também foi afastado.
As mudanças alcançaram setores como a Força de Foguetes, responsável pelo arsenal de mísseis convencionais e nucleares da China. A saída de vários comandantes deixou cargos importantes vagos ou sob responsabilidade de oficiais menos experientes.
Em análise publicada em março, Joel Wuthnow, do Centro para o Estudo de Assuntos Militares Chineses da Universidade Nacional de Defesa dos Estados Unidos, afirmou que a quantidade de demissões provavelmente atrasou a preparação militar chinesa prevista para 2027.
Um levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais indicou que 29 dos 35 generais de três estrelas promovidos por Xi desde 2020 foram expurgados ou aparecem como possíveis alvos da campanha. O estudo aponta que, além da corrupção, disputas internas, desempenho dos comandantes e dúvidas sobre a lealdade a Xi podem estar envolvidos.
A Comissão Militar Central, principal órgão de comando das Forças Armadas chinesas, também perdeu integrantes. Para autoridades americanas, Pequim pode aguardar a eleição presidencial de Taiwan em 2028 antes de decidir seus próximos passos.
Taiwan é governada por Lai Ching-te, do Partido Democrático Progressista. A China considera a ilha parte de seu território e não descarta o uso da força, enquanto o governo taiwanês afirma que somente os habitantes locais podem decidir seu futuro.








