O governo da Bolívia retirou o subsídio ao diesel e informou que adotará ações sociais para reduzir o impacto da medida sobre os setores mais vulneráveis. A decisão ocorreu depois que o Congresso aprovou um crédito de US$ 1,9 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O presidente Rodrigo Paz disse que o preço do diesel passará a acompanhar o custo de importação. “A partir de hoje, o diesel custará o mesmo que nos custa comprá-lo fora”, afirmou em mensagem transmitida pelo canal estatal de televisão.
Preço e abastecimento
O litro do diesel chegou a 18 bolivianos, cerca de 2 dólares (10 reais), após um aumento de mais de 100% em agosto. O preço da gasolina e do diesel já havia dobrado em dezembro de 2025.
Paz afirmou que o subsídio ao diesel custa quase 55 milhões de dólares (282 milhões de reais) por semana ao Estado. Segundo o presidente, a política também estimula o contrabando, porque os preços nos países vizinhos são mais altos. Ele declarou que o valor por litro “flutuará de acordo com o preço internacional”, com a promessa de manter o abastecimento e encerrar o negócio dos contrabandistas.
O governo havia anunciado o fim dos subsídios aos combustíveis para janeiro de 2026, mas iniciou a mudança pelo diesel a partir de sexta-feira. Ainda não há decisão sobre a gasolina.
Compromissos econômicos
Para obter o financiamento, Paz se comprometeu com o FMI a acabar com os subsídios aos combustíveis, reduzir o déficit fiscal e as despesas correntes e manter um câmbio flexível. O presidente afirmou que a ajuda poderá estimular novos acordos de cooperação econômica com outros organismos internacionais.
O crédito foi autorizado pelo Senado em definitivo para respaldar o programa integral de reformas econômicas do país. A proposta já havia sido aprovada pelos deputados na quinta-feira.
Ao assumir o poder em novembro do ano passado, Paz encontrou falta de combustíveis e de dólares. Ele atribuiu aos governos de Evo Morales, que comandou o país de 2006 a 2019, e Luis Arce, presidente de 2020 a 2025, a responsabilidade pela pior crise econômica boliviana em 40 anos. As reservas financeiras haviam sido usadas para manter baixos os preços dos combustíveis, provocando ausência quase total da moeda americana.








