Mais de 90% dos produtos incluídos nas listas comerciais de Estados Unidos e China terão tarifas reduzidas ao nível da “nação mais favorecida”, informou o Ministério do Comércio da China. O acordo alcança cerca de US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, mas não inclui chips semicondutores, veículos elétricos nem baterias.
A relação chinesa autoriza a entrada de 1.619 produtos norte-americanos. Entre os itens estão commodities agrícolas, produtos de cuidados pessoais, madeira, equipamentos médicos e carvão. A lista dos Estados Unidos reúne 77 produtos chineses, como fogos de artifício, eletrodomésticos, vidro, enfeites natalinos de madeira e bolas de futebol.
O Ministério do Comércio da China afirmou que o entendimento deve fortalecer a cooperação comercial entre os 2 países. A Casa Branca informou que pretende conceder “tratamento tarifário reduzido a essas mercadorias de forma recíproca, em conformidade com as leis e processos domésticos” dos dois governos.
As listas foram divulgadas dias depois de Xi Jinping se reunir com Donald Trump em Washington. Foi a 1ª visita de Estado do presidente chinês aos Estados Unidos desde 2015.
Alcance econômico
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que os produtos escolhidos são itens não sensíveis que poderiam receber tratamento tarifário mais favorável. Para ele, o acordo pode ampliar o acesso de agricultores, fabricantes, empresas e trabalhadores norte-americanos ao mercado, além de beneficiar consumidores dos EUA com importações chinesas.
As listas poderão ser revisadas anualmente. Analistas avaliam que o pacto tende a favorecer o comércio bilateral, mas divergem sobre o tamanho do efeito econômico. Lynn Song, economista-chefe para a Grande China no banco ING, classificou o resultado como positivo para os produtos contemplados.
Os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 68 bilhões para a China nos primeiros 7 meses do ano. No sentido contrário, as exportações chinesas chegaram a cerca de US$ 270 bilhões nos primeiros 8 meses. O acordo de US$ 30 bilhões em cada sentido terá peso proporcional maior para exportadores norte-americanos, segundo Prashant Bhayani, do BNP Paribas Wealth Management.
Tensões mantidas
O entendimento não encerra as disputas comerciais. O superavit da China alcançou US$ 1,2 trilhão em 2025 e chegou a cerca de US$ 800 bilhões até agosto deste ano. Os Estados Unidos também investigam a China e outros 16 parceiros comerciais por excesso de capacidade industrial, o que pode levar a novas tarifas.
As tarifas norte-americanas sobre produtos chineses chegaram a 145% no ano passado. Na semana passada, os governos estenderam por 2 meses uma trégua comercial que venceria em 10 de novembro e passou a valer até janeiro.
Entre exportadores chineses, Richard Chan, da Golden Arts Gifts & Decor, aprovou o acordo, mas afirmou que o efeito sobre as vendas da temporada natalina deve ser pequeno. A maior parte dos produtos já estava em trânsito, embarcada antes do período de festas.







