A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), negou ter participado das negociações para a compra do Banco Master pelo BRB e afirmou que não mantinha contato com Daniel Vorcaro, fundador da instituição. Ela disse que mensagens divulgadas nas investigações foram apresentadas fora de contexto.
As conversas foram tornadas públicas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, após o levantamento do sigilo de investigações da Polícia Federal. Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou que Celina não havia ficado fora das tratativas entre o Banco Master e o Banco de Brasília.
Versão apresentada pela governadora
Celina declarou que se opunha à operação antes de o assunto se tornar público. “Seis meses antes de qualquer tipo de operação, eu já era contrária”, afirmou.
A governadora também disse que as próprias mensagens mostram Vorcaro e um terceiro discutindo se ela tinha conhecimento da negociação. “Eu nunca tive nenhum contato com o Vorcaro”, declarou. Segundo Celina, a conversa foi usada para construir uma narrativa que não correspondia aos fatos e indicava uma articulação para atacá-la por sua posição contrária à operação.
Desde a primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, Celina nega envolvimento com Vorcaro, com o Banco Master e com as tratativas de aquisição pelo BRB.
Negociação e mensagens
As mensagens foram trocadas em 5 de abril de 2025, quando Ibaneis Rocha (MDB) era governador do Distrito Federal e Celina ocupava a vice-governadoria. O empresário Thiago Miranda compartilhou com Vorcaro um link sobre a operação e afirmou que Celina estaria tentando aparecer por ter ficado fora da negociação.
Vorcaro contestou essa avaliação e disse que a posição dela fazia parte de uma estratégia política para se preservar. A defesa de Thiago Miranda sustenta que Celina não participou das negociações e afirmou que os diálogos privados, analisados isoladamente, podem levar a interpretações diferentes do que ocorreu.
A compra foi barrada pelo Banco Central no ano passado. Apesar disso, o Banco de Brasília adquiriu R$ 12 bilhões em créditos do banco de Vorcaro. A Polícia Federal afirmou que a análise do Banco Central encontrou indícios de carteiras inexistentes e que nenhum crédito pôde ser confirmado.








