Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o fundador do Banco Master afirmou que Celina Leão não ficou fora das tratativas para a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Na época, ela era vice-governadora do Distrito Federal.
A conversa ocorreu em 5 de abril de 2025, entre Vorcaro e o empresário Thiago Miranda. Miranda compartilhou um link sobre a negociação e disse que Celina estaria tentando ganhar projeção política por não ter participado do processo. Vorcaro contestou: “[Celina] Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política”.
Negociação e negativas
As mensagens foram tornadas públicas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, após o levantamento do sigilo das investigações da operação Compliance Zero. A divulgação ocorreu na 3ª feira (15.set.2026).
Naquele período, Ibaneis Rocha era governador do Distrito Federal, e Celina ocupava o cargo de vice-governadora. A operação de compra do Master pelo BRB acabou barrada pelo Banco Central.
Celina afirma que era contrária à aquisição e nega qualquer relação com Vorcaro, com o Banco Master ou com a tentativa de compra pelo BRB. Em vídeo publicado no Instagram, ela disse que as informações foram tiradas de contexto e que a conversa “cria uma narrativa que não é verdadeira”.
A governadora também declarou: “Eu nunca tive nenhum contato com o Vorcaro. O Vorcaro não tem meu telefone no telefone dele”. Segundo ela, como os empresários conheciam sua posição contrária à operação, a orientação de Vorcaro teria sido “partir para o ataque” contra ela.
A defesa de Miranda afirma que Celina não participou das negociações. Para o advogado Rafael Martins, as mensagens são recortes de diálogos privados e podem gerar interpretações diferentes do que ocorreu quando analisadas isoladamente. A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não respondeu.
Créditos adquiridos
Mesmo com a compra impedida pelo Banco Central, o Banco de Brasília adquiriu R$ 12 bilhões em créditos do Master. A Polícia Federal afirmou que a análise do Banco Central encontrou indícios de carteiras inexistentes e que nenhum crédito pôde ser confirmado.








