Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro citam o ex-senador Chiquinho Feitosa, irmão de Guiomar Feitosa, ex-esposa do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Feitosa recebeu R$ 500 mil por mês da Super Empreendimentos, empresa da rede de Vorcaro investigada por suspeita de lavagem de dinheiro. Em 2 de outubro de 2024, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, listou o pagamento como “500K - F&A Super valor mensal (Chiquinho)”.
O ex-parlamentar confirmou o negócio e afirmou que a contratação durou um “curto período de tempo”. Também disse que, naquele momento, a empresa não era alvo de suspeitas.
Relação com Gilmar Mendes
Vorcaro se reuniu com Gilmar Mendes em 11 de abril de 2024. Conforme a nota do ministro, o encontro ocorreu no gabinete do STF, com a presença de advogados do Banco Master. Gilmar afirmou que a reunião tratou de uma causa do setor sucroalcooleiro.
O ministro disse ainda que não tinha conhecimento de tratativas entre Feitosa e Vorcaro, não foi procurado pelo ex-cunhado sobre os assuntos citados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parentes.
Oito dias após a reunião, Feitosa enviou uma mensagem a Vorcaro sobre o ministro: “Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro!”.
Gilmar declarou que votou contra os interesses do banqueiro em processos relacionados ao setor sucroalcooleiro. Entre os casos citados na nota estão o ARE 1327995, julgado em 3 de junho de 2025, e o ARE 1312127, decidido em 16 de setembro de 2024.
Pagamentos e projeto sobre carbono
Em 2 de janeiro de 2025, Zettel encaminhou uma lista de pagamentos pendentes com previsão de R$ 500 mil para “FA (Chiquinho)”. Oito dias depois, outra relação registrou R$ 1 milhão para “FA (Chiquinho) - Dez/Jan” e R$ 1,4 milhão para Ciro Nogueira.
Feitosa aparece nos sistemas do Senado como autor do Projeto de Lei Nº 412/2022, sobre a regulamentação do mercado de carbono. O texto saiu da casa de Ciro Nogueira e chegou a Vorcaro por meio do motorista do banqueiro.
Documentos identificados como “PL 5174.2023” e “PL 412.2022” foram entregues no Anexo I do Senado a Victor Freitas, assessor de Ciro. Os registros analisados não esclarecem a finalidade da circulação do material e não apontam participação de Feitosa nesse episódio.








