AMAPÁ — A identificação de petróleo no poço Morpho não representa, por enquanto, uma nova reserva pronta para produção. A Petrobras informou nesta sexta-feira (2) que ainda fará estudos para estimar o volume existente e avaliar se a exploração comercial é técnica e economicamente viável.
A ocorrência está na foz do Amazonas, na costa do Amapá, a cerca de 175 quilômetros de Oiapoque (AP). O poço fica no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da Margem Equatorial. A empresa encontrou o óleo depois de aprofundar a perfuração iniciada anteriormente, quando já havia identificado petróleo em agosto. Análises de rochas e de amostras de fluidos confirmaram a presença.
A Petrobras afirmou que o trabalho fornecerá dados para analisar os sistemas petrolíferos e os recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas. A presidente da estatal, Margda Chambriard, concederá uma entrevista coletiva à tarde para detalhar a descoberta.
Potencial estimado
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Foz do Amazonas possa conter 5,7 bilhões de barris recuperáveis. Se confirmado, esse volume equivaleria a um aumento de 33% nas reservas comprovadas de petróleo do Brasil e de até 55% nas reservas da Petrobras.
Para as cinco bacias da Margem Equatorial, a EPE estima potencial de 41 bilhões de barris. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) trabalha com uma projeção de 30 bilhões de barris.
A FGV-IBRE estimou em aproximadamente R$ 3,8 trilhões o valor bruto de até 6 bilhões de barris recuperáveis na região, considerando o petróleo Brent a US$ 70 e o dólar a R$ 5,40.
A continuidade da exploração também depende de licenciamento ambiental. A autorização concedida em outubro de 2025 permitiu a perfuração do Morpho no bloco FZA-M-59. Outros três poços previstos ainda aguardam análise do Ibama. A Petrobras diz que a atividade integra sua estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás e de exploração de novas fronteiras.







