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Política

Poço Morpho coloca reservas e licenciamento no centro do debate sobre petróleo

Descoberta na Margem Equatorial ainda depende de delimitação, viabilidade econômica e novas autorizações para avançar à produção.

Poço Morpho coloca reservas e licenciamento no centro do debate sobre petróleo

A descoberta de petróleo no poço Morpho abriu uma disputa sobre o futuro da exploração na Margem Equatorial. A Petrobras ainda precisa delimitar o reservatório, calcular o volume recuperável e confirmar se a produção será economicamente viável antes de transformar a ocorrência em reserva comercial.

O poço está no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas. A área integra a faixa marítima que acompanha o litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte e se prolonga por outros países sul-americanos. Apesar do nome, o ponto da descoberta fica a 500 km da desembocadura do Rio Amazonas.

Potencial e dependência de novas reservas

A porção brasileira da Margem Equatorial inclui as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. As estimativas apontam potencial de 11 bilhões de barris na Foz do Amazonas e de 20 bilhões a 30 bilhões na bacia Pará-Maranhão. Juntas, as projeções chegam a 41 bilhões de barris.

O interesse aumentou após descobertas na Guiana e no Suriname, que fazem parte do mesmo contexto geológico da Margem Equatorial sul-americana. A Guiana tem recursos estimados em aproximadamente 11 bilhões de barris, e as estimativas para o Suriname variam de 4 bilhões a 6 bilhões.

A produção guianense começou em dezembro de 2019, depois de uma campanha iniciada pela ExxonMobil em 2008. Em 2025, o volume extraído no país equivaleu a 20% de toda a produção brasileira.

No Brasil, a pressão por novas descobertas ocorre enquanto as reservas provadas diminuem depois de atingir um pico em 2026. A EPE projeta redução de 24% no volume até 2035. A relação entre reservas provadas e produção anual deve cair de 17 anos para 12 anos, enquanto a produção pode chegar a 5,12 milhões de barris diários em 2032.

Exploração e licenciamento

Para encontrar petróleo no Morpho, a Petrobras atravessou 2.886 metros de lâmina d’água e perfurou até 7.081 metros de profundidade. O bloco foi arrematado na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013. O licenciamento começou no ano seguinte, e a Petrobras assumiu integralmente os direitos sobre a área em 2020.

O Ibama negou a licença em 2023, mas autorizou a perfuração do Morpho em outubro de 2025. Em setembro de 2026, o órgão liberou mais 3 poços no bloco: Morpho Extension, para delimitar a descoberta, e Manga e Crotalus, destinados à investigação de outras estruturas geológicas.

O professor da UFMA e ex-diretor da ANP Allan Kardec compara a região a um “novo pré-sal, mas sem sal”. Segundo ele, os reservatórios do pré-sal ficam abaixo de uma camada que pode atingir cerca de 2.000 metros de espessura, barreira que não existe no Morpho. A operação, porém, exige logística integrada com bases em terra por causa da distância da costa.

Empresas e oposição ambiental

A Petrobras é considerada por Kardec um agente capaz de reduzir a incerteza para outras empresas ao produzir dados sobre geologia, logística, custos, prazos e procedimentos ambientais. Na 5ª rodada da Oferta Permanente de Concessão da ANP, realizada em junho de 2025, 19 dos 47 blocos oferecidos na Bacia da Foz do Amazonas foram arrematados.

Um consórcio formado por Petrobras e ExxonMobil ficou com 10 blocos. A Petrobras será operadora de 5, e a ExxonMobil comandará os outros 5. Um consórcio liderado pela Chevron adquiriu 9 blocos.

A diretora-executiva do Instituto Arayara, Nicole Figueiredo de Oliveira, afirma que a expansão é incompatível com o avanço das mudanças climáticas. A organização participa de uma ação civil pública que pede o cancelamento da licença e questiona a ausência de uma AAAS, os estudos usados no licenciamento e a modelagem sobre a dispersão de óleo.

Nicole também aponta a sensibilidade ambiental da costa amazônica, com espécies ameaçadas, manguezais e ambientes recifais. Para ela, a perfuração do FZA-M-59 pode estimular a abertura de outras áreas da Margem Equatorial ainda pouco estudadas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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