A Polícia Federal adiou o depoimento de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, no inquérito que investiga suspeitas de favorecimento interno ao Banco Master. Ele seria ouvido como testemunha nesta quarta-feira (7), mas os motivos da mudança não foram informados.
Ainda não há uma nova data para o depoimento. A investigação busca esclarecer a atuação de servidores e ex-dirigentes do Banco Central na fiscalização da instituição controlada por Daniel Vorcaro.
Também foram convocados o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Galípolo foi ouvido na véspera. Aquino deve prestar depoimento na quinta-feira (9), enquanto a oitiva de Esteves foi adiada na segunda-feira (5).
Galípolo não é investigado e prestou informações sobre a atuação de servidores do Banco Central que teriam dado apoio ao Banco Master. Os depoimentos foram programados após investigados relatarem reuniões entre dirigentes da autarquia e representantes do mercado durante a apuração de suspeitas de fraudes cometidas pelo banco.
Suspeitas sobre servidores
A apuração se concentra principalmente em servidores responsáveis pela fiscalização. A investigação afirma que Souza e Belline atuavam como “consultores informais” de Vorcaro dentro do Banco Central, repassando informações sobre processos relacionados ao Banco Master em troca de propina.
Os elementos reunidos pela PF indicam que os servidores teriam dado orientações antes de reuniões com o órgão regulador, revisado documentos e compartilhado informações sobre a fiscalização. Mensagens analisadas também apontam que Paulo Sérgio teria orientado Vorcaro sobre uma reunião com Campos Neto, então presidente do Banco Central.
Documentos da apuração interna do Banco Central registram que Belline relatou ter recebido parcelas de um projeto de inclusão financeira, com pagamentos mensais de R$ 100 mil. Ele negou saber que os recursos vinham do Banco Master.
A PF também investiga encontros entre Vorcaro e servidores fora dos canais oficiais. Belline Santana declarou ter se reunido cinco vezes com o banqueiro, em São Paulo e Brasília, e afirmou que os encontros tinham caráter institucional. Não foram encontrados registros oficiais de todas as reuniões.









