A revista The Economist afirmou que a era de predominância do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil chegou ao fim após o primeiro turno da eleição. Em editorial publicado nesta terça-feira (6), a publicação declarou que o país agora é de direita.
No primeiro turno, realizado no último domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado e avançou para o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para a revista, o resultado marcou a ascensão da direita brasileira, mesmo com as críticas dirigidas à família Bolsonaro.
“Essa era chegou ao fim”, afirmou o editorial ao descrever o período em que o PT teria dominado a política brasileira. O texto relacionou o partido a uma aliança de sindicalistas, católicos progressistas e acadêmicos responsável por construir um Estado de bem-estar social e uma versão latino-americana da social-democracia.
A publicação citou pesquisas de mercados de apostas que dão a Flávio uma grande chance de vencer o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Também afirmou que a eleição já representa um triunfo da direita alinhada ao movimento MAGA, associado ao slogan de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Força parlamentar e críticas
Segundo a Economist, o PL passou a ter a bancada parlamentar mais poderosa desde a promulgação da Constituição brasileira de 1988. O partido também se tornou o maior nos três estados mais populosos: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Juntos, eles geram mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A revista avaliou que essa força poderia permitir ao PL reformular regras de gastos públicos, conter o endividamento, reduzir juros e estimular investimentos. Ao mesmo tempo, disse que os Bolsonaro demonstram pouco interesse em cortar despesas no presente e apontou como cenário mais provável uma política ainda mais polarizada.
O editorial também afirmou que a família Bolsonaro buscará vingança e que a principal promessa de campanha de Flávio foi libertar o pai, Jair Bolsonaro. A revista encerrou o texto dizendo que os brasileiros têm motivos para rejeitar o PT, mas também para temer os rumos dessa rejeição.








