O chicote de Rose Belmont serve para mais do que atacar em Belmont’s Curse: a personagem pode se pendurar em ganchos nas paredes e nos tetos, balançar pelo cenário e se agarrar a inimigos para avançar contra eles. A mecânica é o principal diferencial do novo jogo de Castlevania, lançado nesta quinta (15).
Desenvolvido pelo estúdio francês Evil Empire, o título é o primeiro jogo original da série desde Lords of Shadow 2, de 2014. A aventura recupera a exploração em plataforma 2D, apresentada com visual tridimensional em estilo “cel shading”, e acompanha uma nova integrante da família Belmont.
Rose Belmont e as cartas de tarô
Rose é filha de Trevor, de Castlevania 3, e viaja com o pai a Paris, em 1499. A missão começa depois que o arcebispo local pede ajuda de forma suspeita. A cidade está tomada pelo terror, enquanto uma armadilha é preparada para ressuscitar Drácula.
A jovem busca vingança porque o conde amaldiçoou o sangue de sua mãe, a feiticeira Sypha Belnades. Antes de morrer, Sypha deixou à filha um baralho de tarô. Depois das batalhas contra chefes, os inimigos podem ser aprisionados nessas cartas, que ficam equipadas e oferecem recursos como a cruz-bumerangue, feitiços de fogo e teletransporte. Os poderes consomem pontos de magia.
A campanha passa por ruas, catacumbas, cemitérios e pela Catedral de Notre-Dame de Paris, até chegar às torres do castelo de Drácula. Novas habilidades, como esquiva aérea, pulo duplo e uma aura capaz de atravessar paredes e defletir ataques, liberam caminhos e segredos.
Entre referências e limitações
O jogo também reúne personagens ligados à história da franquia, como Leon Belmont, Alucard, a Morte, Medusa, Carmilla e Isaac. Joana D’Arc, Rei Artur e Leonor da Aquitânia também aparecem na trama. A narrativa é econômica e apresenta esses elementos sem exigir que o jogador conheça toda a linha temporal da série.
A aventura dura cerca de 20 horas e incorpora influências de produções independentes como Hollow Knight, Blasphemous, Animal Well e Dead Cells. A movimentação com o chicote torna os combates mais dinâmicos, mas as batalhas podem se repetir depois de algumas horas, com diversidade limitada de inimigos e ciclos de ataque e cura. É possível usar até três poções para recuperar vida.
A exploração ganha liberdade após trechos mais lineares, embora o mapa tenha becos sem saída e caminhos longos que precisam ser refeitos a pé. A progressão inclui sete categorias de armas, entre espadas, lanças e manoplas, além de acessórios que alteram ataque, defesa e vida. Muitos equipamentos, porém, só aparecem no fim da campanha.
A trilha de Danny Asadi combina coro, cravo e sons eletrônicos, enquanto as regiões apresentam identidades visuais próprias. Belmont’s Curse não segue a tendência de jogos inspirados em Dark Souls que concentram a experiência na punição. A produção recoloca Castlevania em circulação, mas não a coloca novamente na vanguarda do gênero.








