O Fluminense completa nesta terça-feira um ano de negociações com a Lazuli Partners para estruturar uma proposta de compra da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A apresentação pública do fundo ocorreu em 8 de setembro de 2025, em reunião do Conselho Deliberativo transmitida ao vivo.
O clube tenta melhorar os termos da oferta, principalmente o valor do aporte inicial. A expectativa é que uma proposta reformulada seja apresentada ainda neste ano, dando início ao debate sobre a venda. Também estão em discussão as cláusulas do acordo de acionistas e os mecanismos de governança que protegem o Fluminense na operação.
A negociação foi afetada pela eleição do clube, que congelou as discussões até a definição do resultado, e pela espera da publicação do balanço de 2025. A projeção é de que seja necessário pelo menos mais um mês para que haja algo concreto.
Dívidas e receitas
A diretoria tem mantido salários e direitos de imagem em dia ao longo da temporada. Em alguns casos, houve atrasos de poucos dias nos direitos de imagem. No último mês, o vencimento ocorreu no dia 31 e o pagamento foi feito no dia 2, após os atletas serem avisados.
As contratações realizadas nos últimos dois anos foram parceladas. O clube tem mantido os pagamentos dentro do prazo de tolerância e renegocia vencimentos com credores quando o fluxo financeiro aperta. Isso evita o acionamento da Justiça e o transfer ban.
Em evento no Rio de Janeiro, no começo de agosto, o presidente Mattheus Montenegro afirmou que a dívida do clube passou de R$ 860 milhões em 2019 para R$ 1,05 bilhão atualmente. Segundo ele, os valores são corrigidos pela Selic e deveriam chegar a R$ 1,5 bilhão. Montenegro disse ainda que a dívida tributária está parcelada por 10 anos e a cível está no Regime Centralizado de Execuções (RCE).
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANSREF) aplicou ao clube uma advertência de grau mínimo por atrasos no pagamento de parcelas de dívidas com outros clubes, empregados e autoridades públicas. Em nota oficial, o Fluminense afirmou que “os problemas apontados já foram endereçados e o clube acompanha atentamente o andamento para conclusão dos casos.”
A meta orçamentária para 2026 previa cerca de R$ 200 milhões em vendas de jogadores, mas o clube não se aproximou desse valor. A principal negociação foi a venda do volante Bernal por US$ 12 milhões, dos quais os cofres tricolores receberam US$ 7,2 milhões porque o clube detinha 60% dos direitos econômicos.
A criação da SAF é tratada como uma forma de obter aporte para enfrentar o endividamento. A conquista da Libertadores renderia US$ 27,3 milhões a mais do que o previsto, que era uma vaga nas quartas de final.
Premiação de 2025
O Fluminense encerrou 2025 com receita superior a R$ 1 bilhão, impulsionada pela campanha na Copa do Mundo de Clubes, em que terminou na semifinal. Os resultados geraram cerca de R$ 331 milhões.
Mattheus Montenegro afirmou que o clube recebeu R$ 290 milhões líquidos. Desse montante, R$ 72 milhões foram destinados a premiações para os jogadores, R$ 20 milhões ao pagamento de voos durante o torneio e R$ 50 milhões a acordos judiciais. Outros R$ 10 milhões foram mantidos no RCE para quitar parcelas, e R$ 120 milhões foram usados em folha salarial e contratação de jogadores.







