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Cartas revelam influência mútua entre Maria Martins e Marcel Duchamp

Biografia de Francis Naumann reúne registros de arquivo e depoimentos sobre o vínculo entre os dois artistas e suas obras.

Cartas revelam influência mútua entre Maria Martins e Marcel Duchamp
Foto: Divulgação

A correspondência entre Maria Martins e Marcel Duchamp revela uma relação marcada pela distância, pela paixão e pela influência na produção artística dos dois. Esse é o foco de Impossível, livro de Francis Naumann que reúne registros de arquivo e entrevistas com familiares.

Duchamp costumava rasgar as cartas que recebia depois de respondê-las, e muitas das mensagens de Martins não foram preservadas. O material disponível, porém, registra o sofrimento do artista. Em outubro de 1948, ele escreveu: “Como eu gostaria de respirar com você”. Em 1950, quando Martins estava em Paris com o marido, afirmou que o isolamento entre os dois doía.

Obras ligadas ao romance

A escultura O Impossível, criada por Martins em 1945, dá nome ao livro. As duas formas de bronze parecem se enfrentar e se aproximar ao mesmo tempo: uma tem tentáculos ondulados; a outra reúne características de um corpo feminino, com cintura marcada, quadril largo e seios.

Uma carta de Duchamp de 1949 relaciona a obra à história dos dois. O historiador também sustenta que a influência pode ter ocorrido de Martins para Duchamp, e não apenas no sentido atribuído tradicionalmente ao artista francês.

A última obra de Duchamp, Étant Données, foi produzida entre 1946 e 1966 e teria sido inspirada em Martins. A instalação só foi exibida em 1969, no Museu de Arte da Filadélfia, após a morte do artista, em 1968. O público observa, por duas aberturas em uma porta de madeira, uma figura feminina nua diante de uma cachoeira. Martins foi a modelo.

Distância e colaboração

Duchamp ajudou a inserir Martins no círculo surrealista de Paris e a incluiu na mostra “Exposition Internationale du Surréalisme”, de 1947, na qual ela apresentou O Impossível. Ela também comprava obras a pedido do amante, como Broadway Boogie Woogie, de Piet Mondrian, doada ao MoMA.

Em 1948, o marido de Martins foi nomeado embaixador do Brasil na França. Com a aposentadoria dele, ela voltou definitivamente ao Brasil em 1949. No ano seguinte, Duchamp escreveu que não conseguia mais encontrar uma saída para a situação. Em 1951, aceitou o fim da relação; naquele ano, conheceu Teeny Matisse, com quem se casaria em 1954.

Os dois se encontraram novamente em 1966, pela última vez. Naumann afirma que o vínculo emocional com Martins foi necessário para a realização da obra de Duchamp.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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