SÃO PAULO — A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo completa 50 anos com 380 filmes de 92 países, entre obras premiadas, produções de menor visibilidade e clássicos restaurados. Criado em 1977, o festival mantém a proposta de exibir filmes nos cinemas da cidade durante duas semanas e ampliar o acesso do público brasileiro a títulos que dificilmente chegariam ao circuito comercial.
A programação inclui “Fjord” e “Mulher Desconhecida”, premiados em Cannes e Veneza, além de “Primetime”, estrelado por Robert Pattinson; “Amor Possível”, do diretor sul-coreano Lee Chang-dong; “Look Back”, adaptação de Hirokazu Koreeda; e “Tigre de Papel”, de James Gray. O diretor americano apresenta o filme de abertura nesta quarta-feira, com Adam Driver e Scarlett Johansson no elenco.
Também participam o diretor indiano S.S. Rajamouli, conhecido por “RRR - Revolta, Rebelião, Revolução”, de 2022, e o americano Boots Riley. Entre os cineastas cultuados por cinéfilos estão Jia Zhangke, com “Torino Shadow”, e Hong Sang-soo, responsável por “Onde Repousar Meus Olhos” e “O Dia em que Ela Volta”.
Cinema fora do algoritmo
A seleção reúne ainda “A. Rimbaud”, de Patrick Wang, e “Ha-Chan, Shake Your Booty!”, de Josef Kubota Wladyka. A programação também prevê sessões de “Aurora”, obra centenária do armênio Artavazd Pelechian, e trabalhos produzidos pelo português Paulo Branco, com títulos de Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Raúl Ruiz e Chantal Akerman.
A Mostra se contrapõe à concentração de atenção provocada pelas redes sociais e pelas métricas de engajamento. Para o curador Jonas Chadarevian, o equilíbrio entre filmes populares e alternativos ajuda a levar o público a obras menos conhecidas. “A sobrevivência de qualquer festival depende do equilíbrio entre o que é pop e o alternativo, por assim dizer”, afirma.
A cineasta e apresentadora Marina Person define o evento como “o anti-algoritmo”. Ela lançou no ano passado a série documental “Viva o Cinema! Uma História da Mostra de São Paulo”, disponível na HBO Max, com quatro episódios sobre a história do festival e depoimentos de frequentadores.
A rotina dos chamados mostreiros inclui assistir a quatro filmes por dia e organizar o deslocamento entre diferentes salas. O evento também terá cartazes das 50 edições reunidos em um livro comemorativo, com páginas destacáveis.
História e presença na cidade
A primeira edição foi organizada pelo crítico Leon Cakoff, em 1977, no auditório do Masp. Durante a ditadura militar, a Mostra enfrentou a censura ao exibir filmes proibidos, como “A Batalha do Chile”. A trilogia de Patricio Guzmán será apresentada nesta edição em cópias restauradas.
O festival também recebeu Quentin Tarantino, que veio ao Brasil com “Cães de Aluguel”, seu primeiro longa. Pedro Almodóvar, Abbas Kiarostami e Francis Ford Coppola estão entre outros nomes que passaram por São Paulo.
A história do evento é lembrada no livro “Antes que Eu Me Esqueça”, de Renata de Almeida, e na exposição “Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, no Solar Fábio Prado. O local receberá a Sala Petrobras, com mais de 400 lugares.
Além das salas da região central, a programação terá filmes gratuitos nas periferias de São Paulo, por meio dos Centros Educacionais Unificados, os CEUs. A Mostra também ocupará o Espaço Petrobras de Cinema, na rua Augusta, e outros cinemas de rua.








