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‘Paixão Simples’ transforma espera amorosa em ritual teatral ao som de Alcione

Primeiro solo de Aline Fanju adapta livro de Annie Ernaux com participação do público, imagens eróticas e trilha brasileira.

‘Paixão Simples’ transforma espera amorosa em ritual teatral ao som de Alcione
Foto: Lia Maciel/Divulgação

A espera por um telefonema organiza a encenação de “Paixão Simples”, primeiro solo de Aline Fanju e primeira adaptação brasileira para o teatro de um livro de Annie Ernaux. A personagem aguarda um homem estrangeiro, mais jovem e casado, enquanto concentra nele pensamentos, lembranças e expectativas.

A montagem leva para o palco um telefone vermelho tratado como objeto erótico. A protagonista evita atividades que possam impedi-la de ouvir o aparelho e adia o banho depois dos encontros para prolongar a sensação da presença do amante. O cotidiano, os filhos já crescidos, as viagens e outras preocupações perdem espaço diante da paixão.

Fanju interpreta a mulher apaixonada, a narradora e também a atriz que realiza o monólogo criado para ela. Em determinado momento, ela compartilha uísque puro e sem gelo com uma mulher da plateia, em um ritual entre espectadoras que viveram relações intensas. A atriz também pergunta “Quem nunca?” e encontra uma cúmplice no público.

A encenação inclui cenas eróticas exibidas em um monitor, trechos reproduzidos em um painel e passagens lidas em off. Fanju desce do palco e acompanha as imagens na plateia por alguns segundos. A presença de Ernaux aparece ainda em um quadro pendurado no quarto da personagem, onde ela espera o telefonema.

A adaptação foi autorizada pelos representantes da escritora depois de uma negociação de seis meses. O texto pode ter trechos cortados e reorganizados, mas nenhuma palavra da tradução pode ser modificada nem novas passagens podem ser acrescentadas. Ernaux recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 2022.

A trilha combina a música “Savage Funk”, de Anitta, com “Sufoco”, na voz de Alcione. A primeira acompanha a atmosfera sexual do quarto; a segunda expressa o desespero da despedida, quando o homem se veste, calça os sapatos e vai embora.

O produtor Pablo Sanábio idealizou o solo e iniciou com Fanju uma maratona de leituras até a escolha de “Paixão Simples”. A diretora Alessandra Colasanti afirma que a obra trata de uma espera que atravessa gerações e que o teatro oferece uma perspectiva alegórica para essa experiência.

Publicado originalmente em 1991, “Paixão Simples” foi relançado no Brasil pela editora Fósforo em 2023. A montagem busca apresentar as vivências sem julgamentos e transforma a experiência amorosa em literatura após o período de desejo intenso.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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