SANTOS — O som de um cincerro usado por Teuda Bara nos pés, na década de 1970, foi uma das lembranças compartilhadas pelo Grupo Galpão durante a homenagem à atriz neste domingo (6). O encontro “Cantar e contar Teuda Bara” integrou a programação do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo.
Eduardo Moreira, ator e diretor artístico do grupo, contou que conheceu Bara na época em que os dois estudavam na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “A primeira lembrança que tenho da Teuda é o som das vacas”, afirmou. O objeto fazia referência aos sinos colocados no pescoço de vacas para ajudar a localizá-las.
Histórias e canções
Bara, atriz e uma das fundadoras do Galpão, morreu em dezembro do ano passado, aos 84 anos. Durante a atividade, porém, os integrantes falaram dela no presente e relembraram episódios de sua trajetória, acompanhados por músicas do repertório da companhia.
Em uma oficina de teatro conduzida por George Froscher e Kurt Bildstein, do Teatro Livre de Munique, a atriz precisava ser empurrada por Antonio Edson em uma cena com entradas e saídas do teatro marcadas pelo tempo da direção. Edson também relatou que ela quase foi esmagada pela multidão ao acompanhar, em Belo Horizonte, a despedida de Tancredo Neves, em 1985. “Foi resgatada por almas boas”, disse.
A escolha do trompete também rendeu histórias. Bara acreditava que conseguiria lidar com os três pistões do instrumento, mas o aprendizado provocou reações dos vizinhos: alguns reclamaram, enquanto outros elogiaram o som ouvido durante horas.
Moreira atribuiu a longevidade do Grupo Galpão à persistência da atriz, descrita por ele como corajosa, amorosa e livre. A companhia vai completar 45 anos em 2027. Os integrantes também disseram que Bara dormia durante espetáculos, inclusive apresentações do próprio grupo, mas continuava sendo uma das figuras que mais atraíam a atenção do público.
O Galpão conversa com o diretor Rodrigo Portella sobre uma possível nova montagem em 2027. A companhia apresenta “(Um) Ensaio sobre a Cegueira” nesta segunda (7) e terça (8) no Mirada. O espetáculo também volta à capital paulista no próximo final de semana, de 11 a 13, no Festival de Teatro de São Paulo.








