A história política da França registra revoltas que não terminaram com a vitória dos grupos que foram às ruas. Em diferentes períodos, movimentos de contestação foram seguidos por mudanças de regime, derrotas eleitorais ou repressão organizada pelo governo.
A Revolução Francesa, iniciada em 1789, levou ao período de terror associado aos jacobinos e, depois, à ditadura militar de Napoleão Bonaparte, que encerrou a fase revolucionária.
Em 1848, barricadas em Paris derrubaram o rei Luís Filipe e deram origem à Segunda República. Na eleição presidencial, porém, o sobrinho de Napoleão Bonaparte recebeu 74% dos votos. Em 1851, os franceses também ratificaram seu golpe de Estado em plebiscito. A revolta que havia derrubado uma monarquia resultou, poucos anos depois, na formação de um império.
Derrotas em Paris
A Comuna de Paris, em 1871, foi derrotada pelo governo de Adolphe Thiers, apoiado por uma Assembleia Nacional de maioria conservadora. O episódio reforçou a distância entre as posições políticas da capital e as do restante da França.
Em 1968, estudantes ocuparam as ruas e defenderam mudanças sociais. As eleições legislativas realizadas naquele mesmo ano, no entanto, foram vencidas pelos gaullistas, que obtiveram ampla maioria.
No século 21, a França também passou por sucessivas ondas de protestos. Entre os episódios estão a revolta dos subúrbios em 2005, o movimento dos coletes amarelos em 2018, as manifestações contra a reforma da previdência em 2023 e os incêndios em escolas em 2026.
Nesse período, a direita radical avançou nas urnas. Nas eleições presidenciais do próximo ano, Marine Le Pen aparece na dianteira. À esquerda, Jean-Luc Mélenchon defende compreender e apoiar os protestos em curso como forma de enfrentar a adversária.








