FRANÇA — O governo de Emmanuel Macron enfrenta uma crise fiscal e política enquanto tenta reduzir os gastos públicos. A dívida da França chegou a 119% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar em 80 anos, segundo as informações apresentadas no texto. O índice era inferior a 100% antes da crise sanitária global.
Durante a crise, o governo adotou uma política chamada de “custe o que custar” e destinou bilhões de euros a subsídios e auxílios para evitar o colapso da economia, enquanto o comércio e as indústrias estavam parados. O aumento do endividamento reduziu a capacidade de investimento do país.
As medidas de ajuste enfrentam resistência na Assembleia Nacional e nas ruas. Em Paris, manifestações ganharam força em apoio a professores em greve. Os participantes também pedem mais recursos para a educação e se opõem aos cortes orçamentários propostos pelo governo para reduzir o déficit.
A reforma da Previdência é outro foco de insatisfação. A mudança elevou a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos. Parte da população considera que o contrato social francês está sendo alterado sem consentimento popular.
Impasse político
A Assembleia Nacional ficou fragmentada após as eleições de 2024. O Parlamento é dividido entre o bloco de centro ligado a Macron, a esquerda liderada pelo partido A França Insubmissa e a direita nacionalista do Reagrupamento Nacional. Nenhum dos grupos tem maioria absoluta, o que dificulta a aprovação de cortes de gastos ou aumentos de impostos.
Em apenas um ano, a França teve três primeiros-ministros. O atual, Sébastien Lecornu, precisa fazer concessões para evitar uma derrota em votos de desconfiança.
Instituições europeias e o Banco Central Europeu ajudam a amortecer o endividamento, afastando o risco de insolvência imediata. Ainda assim, o custo da dívida pode subir com os juros, e o país pode sofrer novos rebaixamentos nas notas de crédito. Com as eleições presidenciais de 2027 se aproximando, o mercado financeiro teme o avanço do populismo fiscal e de promessas que ampliem o desequilíbrio das contas públicas.







