O Rock in Rio 2026 terá recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, auditiva e com autismo. Entre as medidas estão audiodescrição, interpretação em Libras, experiências táteis para acompanhar a música, kits sensoriais e uma sala preparada para momentos de sobrecarga sensorial.
A operação para pessoas cegas e surdas é coordenada pela All Dub, empresa especializada em acessibilidade cultural e audiovisual que atua no festival desde 2018.
Para pessoas com deficiência visual, haverá audiodescrição nos palcos Mundo, Sunset e Favela. O público interessado deve procurar a Central de Acessibilidade para receber uma pulseira de acesso ao serviço. Os participantes usam um rádio para acompanhar a descrição de entradas, figurinos, cenários, iluminação, efeitos especiais e movimentos dos artistas.
A audiodescritora Ana Paula Rodrigues explicou que o serviço acrescenta informações visuais sem interferir na música, incluindo detalhes de roupas, danças, objetos lançados pelos músicos e reações do público.
O analista de sistemas Sidney Tobias usou o recurso para acompanhar o show do Sepultura no sábado (5). Durante uma chuva forte, que atrapalhou o funcionamento dos equipamentos, a profissional responsável permaneceu ao lado dele e descreveu a apresentação.
Experiências para pessoas surdas
O projeto Sinta o Som permite que pessoas surdas acompanhem uma apresentação por meio de vibrações. O participante informa previamente qual show deseja ver, retorna à Central de Acessibilidade cerca de meia hora antes e é levado por um intérprete de Libras a uma área próxima ao palco.
No local, a música é percebida por meio de uma caixa de som gigante e de um colete sensorial. O intérprete acompanha a experiência e oferece suporte. As vagas são limitadas por dia.
Também haverá intérpretes de Libras nos telões dos 3 principais palcos, com tradução em tempo real das falas e apresentações. A equipe terá 16 profissionais, que se revezarão durante a programação. Antes dos shows, eles estudam repertórios, letras, estilos, referências culturais e características das apresentações. Alguns também atuam em inglês, espanhol e mandarim.
Apoio para pessoas autistas
Os kits sensoriais incluem abafador de ruído, óculos para reduzir estímulos visuais e luminosos, spinner e stim toy. Os itens podem auxiliar na autorregulação diante do volume do som, da iluminação intensa e da concentração de pessoas.
A organização recomenda que cada visitante leve os recursos que já utiliza. Os kits do evento serão uma alternativa de apoio e estarão sujeitos à disponibilidade.
Para obter a pulseira oficial de identificação, pessoas com autismo deverão apresentar a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) ou laudo médico. Cordões adquiridos fora do evento não substituem essa comprovação.
O festival também terá uma sala sensorial com estímulos sonoros e luminosos reduzidos e a presença de terapeutas ocupacionais. O espaço será destinado ao acolhimento em situações de crise ou sobrecarga, antes do retorno às atividades.
O Rock in Rio será o 1º festival a receber o Selo “Todos Nós”, criado pela Autistas Brasil para reconhecer práticas inclusivas. A iniciativa considera o acesso, a permanência e a participação de pessoas autistas em grandes eventos culturais.








