Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00% Brasília 18°C 18° / 26°
Tecnologia

Acordo da Meta amplia pressão por mudanças no design das redes sociais

Medidas para proteger menores reforçam uma tendência regulatória que já avançou nos Estados Unidos, na Europa, no Reino Unido, na Austrália e no Brasil.

Acordo da Meta amplia pressão por mudanças no design das redes sociais
Foto: Getty Images

O acordo de até US$ 17 bilhões da Meta com autoridades dos Estados Unidos pode influenciar a forma como redes sociais são projetadas e reguladas. A empresa aceitou adotar medidas de proteção para usuários menores de 18 anos, incluindo limite padrão de duas horas diárias somadas entre Facebook e Instagram, restrições de uso entre meia-noite e 6h, controles mais rígidos de notificações e verificações de idade mais rigorosas.

O compromisso foi aprovado por um juiz federal em 26 de agosto de 2026. Um auditor independente acompanhará a aplicação das medidas. A Meta nega irregularidades.

A disputa foi movida por dezenas de estados, entre eles Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey. Os processos discutem se as empresas podem ser responsabilizadas por recursos que elas próprias desenvolveram, como recomendações algorítmicas, rolagem infinita, notificações e mecanismos destinados a prolongar o tempo de uso.

A discussão se diferencia da proteção prevista na Seção 230, que geralmente impede que plataformas sejam responsabilizadas pelo conteúdo publicado por terceiros. No início deste mês, o 9º Circuito permitiu que milhares de ações contra Meta e TikTok continuassem. O tribunal afirmou que a lei pode servir como defesa, mas não impede automaticamente a abertura dos processos.

Em 7 de agosto, um tribunal do Novo México reduziu para US$ 942 milhões a responsabilidade financeira total da Meta no estado e determinou cinco anos de mudanças supervisionadas judicialmente no Facebook e no Instagram para usuários locais. A decisão incluiu verificação de idade, limites de tempo e restrições a recursos voltados para jovens. A Meta recorreu.

Efeito sobre concorrentes e publicidade

O acordo pode dificultar que Roblox, Snap, TikTok, YouTube e outras empresas aleguem que medidas semelhantes são inviáveis. Cerca de 30% do valor máximo do compromisso da Meta depende da adesão do TikTok e do YouTube a salvaguardas equivalentes.

Se as duas plataformas participarem, a Meta terá de reduzir o limite para uma hora por aplicativo e ampliar a restrição noturna para o período entre 22h e 7h. As mudanças também podem afetar o modelo de publicidade, caso limites de tempo, notificações e recomendações reduzam a atenção dos usuários.

Ainda não está definido se as medidas melhorarão a saúde mental dos adolescentes. Pais poderão anular alguns controles, e a verificação de idade continua associada a dificuldades técnicas e preocupações com privacidade. Milhares de processos movidos por indivíduos e distritos escolares também permanecem em andamento.

Regras fora dos Estados Unidos

A Comissão Europeia concluiu preliminarmente, em julho, que a Meta violou a Lei de Serviços Digitais por causa do design considerado viciante do Facebook e do Instagram. A análise citou rolagem infinita, reprodução automática e sistemas que personalizam o conteúdo exibido.

No Reino Unido, a Lei de Segurança Online criou deveres de proteção infantil para as plataformas. A Austrália exige medidas para impedir que menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais.

No Brasil, a ECA Digital está em vigor desde 17 de março e impõe obrigações a serviços digitais usados por crianças e adolescentes, inclusive quando o provedor está no exterior. A lei prevê verificação de idade, proteções padrão mais fortes e supervisão parental. Contas de usuários de até 16 anos devem ser vinculadas a um adulto responsável.

Um decreto regulamentador restringe recursos relacionados ao uso excessivo ou compulsivo, como rolagem infinita, reprodução automática e notificações voltadas a prolongar o engajamento. As famílias também devem receber ferramentas para acompanhar e limitar o uso.

A ANPD já examina sistemas de verificação de idade da Apple, Google e Microsoft. Em 21 de agosto, a fiscalização alcançou mais de 20 plataformas, incluindo ChatGPT, Claude, Discord, Facebook, Instagram, TikTok, WhatsApp, X e YouTube.

Em 25 de agosto, a agência multou a ByteDance em aproximadamente US$ 31 milhões por violações da legislação brasileira de proteção de dados envolvendo crianças e adolescentes. O órgão determinou a exclusão de dados que considerou coletados de forma inadequada e exigiu um plano de conformidade.

Disputa com o Discord

Em 12 de agosto, a ANPD ordenou que o Discord suspendesse no Brasil as funções de transmissão ao vivo e compartilhamento de vídeos até demonstrar salvaguardas adequadas para menores. A decisão ocorreu após o suicídio de uma menina de 13 anos no Brasil, caso ligado pelas autoridades à plataforma.

Em 25 de agosto, o Gabinete do Procurador-Geral entrou com ação civil para pedir o equivalente a US$ 100 milhões em indenização coletiva e mudanças nas práticas do serviço. Entre as exigências estão verificação de idade, supervisão parental, configurações padrão mais seguras e medidas contra o reaparecimento de servidores banidos.

O Discord contestou as medidas. Em 2 de setembro, um juiz federal deu à empresa 10 dias para apresentar uma nova proposta de proteção aos usuários. A disputa coloca em prática, no Brasil, questões semelhantes às debatidas nos Estados Unidos: idade, configurações padrão e decisões de design das plataformas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5