O Rock in Rio 2026 começou com ingressos ainda disponíveis para os dois primeiros dias, encabeçados por Foo Fighters e por Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon. A menor procura atingiu justamente o rock e o heavy metal, gêneros associados à marca do festival.
Na sexta (4), os shows de Nova Twins e Hot Milk tiveram público reduzido. As apresentações de Rise Against e The Hives, no palco Mundo, também não reuniram plateias cheias, e era possível avançar até a grade. A impressão era de que a maior parte do público havia ido principalmente para ver o Foo Fighters.
No sábado (5), o Parque Olímpico recebeu mais pessoas, mesmo com chuva e ingressos à venda. O show do Sepultura atraiu uma multidão durante a tarde. À noite, porém, Machine Gun Kelly — ou Mgk — cantou para uma plateia dispersa. O artista se aproxima mais do pop e já havia retornado ao Brasil pela terceira vez em quatro anos.
A comparação com outros dias reforçou a diferença. Ainda havia entradas para as datas lideradas por Stray Kids e outras bandas de k-pop, em 11 de setembro, além de Twenty Pilots e Zara Larsson, no dia 13. Já os ingressos para Calvin Harris e Black Eyed Peas, no domingo (6), Elton John e Gilberto Gil, na segunda (7), e Maroon 5 e Demi Lovato (12) tinham sido vendidos antecipadamente.
Renovação e repetição
O festival apostou em uma versão mais jovem e menos ortodoxa do metal, com referências a metalcore, hardcore e emo. O público do sábado tinha muitos fãs jovens de Bring Me the Horizon e Avenged Sevenfold, em vez do perfil mais velho associado a apresentações de Iron Maiden e Metallica.
A escolha dos nomes, porém, também é apontada como um fator para a demanda menor. O Avenged Sevenfold foi atração principal em 2024, quando esgotou as entradas de seu dia, e voltou ao festival dois anos depois de fazer duas apresentações no Brasil em menos de oito meses. Uma delas ocorreu no Nubank Parque, em São Paulo.
O Bring Me the Horizon também havia fechado o Nubank Parque em 2024, no maior show de sua carreira. A banda britânica tem o vocalista Oliver Sykes, casado com uma brasileira e morador de Taubaté, no interior paulista.
Desde 2011, quando o festival voltou a ocorrer regularmente no Rio de Janeiro, não era comum haver datas sem ingressos esgotados. A perda de popularidade do rock, a pouca renovação do gênero e a repetição de atrações estão entre os fatores considerados para explicar o resultado. A busca por artistas queridos que passam pouco pelo Brasil aparece como uma possível estratégia para manter o rock entre os principais atrativos do evento.








