O avanço das canetas de Ozempic, Wegovy e Mounjaro para emagrecimento aumentou a procura por estratégias que preservem a massa muscular. A movimentação envolve academias, fabricantes de suplementos, empresas de alimentos e a indústria farmacêutica.
Toda perda de peso pode vir acompanhada de redução muscular. O endocrinologista Fabio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que, em geral, cerca de 75% do peso perdido corresponde à massa gorda e até 25% à massa magra. Por isso, a recomendação é combinar o uso dos medicamentos com atividade física e ajustes na alimentação.
No país, 90% das academias e estúdios aumentaram a base de alunos nos últimos doze meses, contra 86% na média global, segundo o Relatório do Mercado Fitness da plataforma Wellhub. As vendas de suplementos alimentares cresceram 440%, com destaque para whey protein e creatina. Em 2025, a procura por iogurtes proteicos subiu 21%, a de shakes pré e pós-treino avançou 16% e a de leites saborizados proteicos aumentou 14%, conforme levantamento da Scanntech.
A nutricionista Myrian Najas, professora da Unifesp, diz que a ingestão de proteína deve ser equilibrada e que, em alguns casos, pode haver necessidade de suplementação. Ela ressalta, porém, que proteína sem exercício não aumenta a massa muscular.
O educador físico Guilherme Peixoto, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP, afirma que o músculo precisa de estímulo mecânico. Além de atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta e corrida, ele recomenda treino de força e resistência. A avaliação também deve considerar a função muscular, e não apenas o tamanho do músculo.
A perda de massa e função muscular caracteriza a sarcopenia. O médico Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, afirma que a perda média é de 3% a 8% da massa muscular a cada década a partir dos 30 ou 40 anos, com intensificação depois dos 60. A falta de exercícios pode agravar o processo.
A indústria farmacêutica também pesquisa medicamentos para reduzir a perda de massa magra. O apitegromabe foi autorizado pela agência regulatória americana para pacientes com atrofia muscular espinhal e é estudado em usuários de Mounjaro. O bimagrumabe apresentou aumento do percentual de massa magra em pacientes com obesidade e diabetes que usavam canetas. Já o trevogrumabe reduziu pela metade a perda muscular entre usuários de semaglutida.
A expectativa é que medicamentos desse tipo cheguem ao mercado a partir de 2028. Eles, no entanto, não devem substituir alimentação equilibrada e exercício. “Nenhum remédio vai substituir a musculação”, afirma Peixoto. A orientação é fazer a evolução do treino de forma gradual e respeitar as condições individuais, sem trocar refeições por shakes.








