As competições de futebol foram retomadas nos territórios palestinos pela primeira vez desde o início da guerra entre Israel e Hamas. A Federação Palestina de Futebol organizou a Copa dos Mil Mártires em três locais: na Cisjordânia ocupada, na Faixa de Gaza e em campos de refugiados palestinos no Líbano.
O torneio homenageia 1.014 atletas mortos durante as hostilidades, de acordo com a Federação Palestina de Futebol. As atividades esportivas estavam suspensas desde 7 de outubro de 2023. O narrador Jalil Jadallah voltou ao microfone na partida de abertura, realizada em Al-Ram, na Cisjordânia.
“Passei os últimos anos da minha carreira prestando homenagem aos jogadores cujos gols eu costumava narrar”, disse Jadallah. Ele afirmou que o retorno reúne a satisfação de voltar às transmissões e a tristeza pelas perdas de jogadores, torcedores, dirigentes e árbitros.
Partidas em meio à destruição
Em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, Khadamat Rafah e Shabab Rafah fizeram o jogo de abertura do torneio na região. A competição ocorre enquanto instalações esportivas foram destruídas por bombardeios israelenses e alguns campos são usados como abrigo por palestinos deslocados.
O torneio reúne 226 clubes. São 146 na Cisjordânia ocupada, 44 na Faixa de Gaza e 36 nos campos de refugiados palestinos no Líbano.
Jalil Matar, do Khadamat Rafah, disse que o futebol tinha papel central na vida antes da guerra e que os jogadores deixaram de exercer a atividade depois do conflito. Para ele, a copa também serve para homenagear antigos companheiros de equipe.
Durante o conflito, autoridades palestinas do futebol acusaram Israel de matar jogadores e danificar estruturas esportivas em Gaza. Em 22 de julho, o Exército israelense declarou que cerca de uma dezena de integrantes do futebol palestino mortos na guerra fazia parte de grupos armados. A Federação Palestina de Futebol rejeitou a acusação.
Homenagem antes da partida
Em Al-Ram, crianças atravessaram o gramado levando uma bandeira palestina dobrada como uma mortalha. Depois, colocaram o símbolo no centro do campo.
Aos 10 minutos e 14 segundos, o árbitro parou o jogo para um minuto de silêncio em memória dos 1.014 atletas. Telas nas arquibancadas mostraram os retratos das vítimas e a frase “O futebol volta à Palestina”.
O torneio acontece em meio à continuidade da violência em Gaza, apesar do cessar-fogo, e ao aumento dos ataques de colonos israelenses na Cisjordânia. Para Jadallah, a competição representa a determinação dos palestinos de continuar vivendo apesar das perdas.








