A queda de rendimento do Palmeiras combina desfalques no ataque, desgaste físico, falhas recentes na defesa e piora do desempenho como mandante. O time perdeu a liderança do Brasileiro após empatar com o Botafogo.
O ataque foi o setor mais afetado. Desde a chegada de Jhon Arias, o clube perdeu Ramón Sosa, que se recupera de lesão muscular, Allan, negociado para Manchester City sem reposição, e Paulinho, em recuperação após cirurgia na canela e uma terceira lesão.
Com poucas alternativas, a equipe também perdeu precisão e regularidade. Contra o Botafogo, acertou cinco de 17 finalizações no alvo. No segundo semestre, teve bons momentos com Sosa e Mauricio, mas não voltou a encaixar a dupla Flaco-Roque, responsável por 83% dos gols do Palmeiras até o fim de setembro de 2025, desde a mudança tática de Abel Ferreira.
Vitor Roque convive com problemas físicos desde o início do ano, principalmente após lesão e cirurgia no tornozelo. Ainda fora de forma, perdeu espaço entre os titulares e parte da força no um contra um. Sem Roque e Allan, o Palmeiras passou a depender de Arias nesse aspecto.
Para Anderson Barros, a recuperação dos jogadores pode fortalecer o elenco na fase decisiva. O diretor também apontou a necessidade de melhorar a parte técnica e a tomada de decisão. Na avaliação do clube, o desgaste contribui para erros de passe que originam contra-ataques.
A defesa, antes associada à regularidade, voltou a apresentar problemas de marcação. Carlos Miguel errou nas partidas contra Atlético-MG e Cerro Porteño. Abel Ferreira também testou um esquema com três zagueiros, que aumentou o volume ofensivo e deu liberdade ao ataque, mas a perda de Allan e lesões entre os zagueiros exigiram novas mudanças.
O desempenho no estádio também caiu. O Palmeiras ficou invicto por seis partidas no Nubank Parque pelo Brasileiro até abril. Desde maio, porém, somou 50% de aproveitamento em casa, com duas vitórias, três empates e uma derrota em seis jogos.
Abel afirmou que a equipe tem dificuldade para superar adversários que fecham os espaços. O problema já havia aparecido na reta final do Brasileiro de 2025, quando o time precisava vencer para recuperar a liderança, mas empatou com Vitória e Fluminense.
Em 2025, o Palmeiras passou por reformulação e fez 12 contratações. O clube relacionou as dificuldades daquele período ao desgaste físico, à falta de experiência e aos gols sofridos no fim. Após a final da Libertadores, Abel acrescentou o fator psicológico, com medo de errar e falta de ousadia.
Para aumentar a experiência do elenco, o Palmeiras contratou Marlon Freitas, Jhon Arias e Barboza, campeões recentes de torneios de grande expressão. Na temporada atual, conquistou o Paulista, liderou o Brasileiro, chegou à semifinal da Copa do Brasil e alcançou as quartas de final da Libertadores. Ainda há tempo para recuperação, segundo a avaliação apresentada no clube.








