A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou uma parceria com a Gilead Sciences para ampliar o acesso ao lenacapavir, medicamento injetável que previne a infecção pelo HIV. O acordo permite que 14 países da América Latina e do Caribe adquiram o produto por meio dos Fundos Rotativos Regionais da entidade, conforme as regras nacionais aplicáveis.
A lista inclui Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A introdução do medicamento nos programas nacionais será progressiva e dependerá de processos regulatórios, protocolos clínicos, treinamento de profissionais de saúde e planejamento de cada país.
Produção no Brasil
A Gilead também se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia no Brasil. O objetivo é facilitar a produção local do lenacapavir no futuro.
“Parcerias estratégicas são essenciais para nossa ambição de ajudar a acabar com a epidemia de HIV”, afirmou Johanna Mercier, diretora comercial e de assuntos corporativos da Gilead Sciences. Para ela, a colaboração entre governos, organizações de saúde pública e indústria pode ampliar o acesso e acelerar a implementação do medicamento.
A Opas informou que cerca de 140.000 novas infecções pelo vírus causador da aids ocorrem por ano na América Latina e no Caribe. O diretor da organização, Jarbas Barbosa, disse que as novas ferramentas de prevenção precisam chegar às pessoas que necessitam delas.
Como o medicamento é usado
Aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano, o lenacapavir é utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP). A aplicação é feita duas vezes por ano, característica que pode facilitar a adesão ao tratamento e evitar esquecimentos.
O antirretroviral pode ser administrado por comprimido ou por injeção subcutânea aplicada a cada seis meses. Em um estudo com 5 338 mulheres de Uganda e da África do Sul, demonstrou capacidade de prevenir a infecção pelo HIV em 100% dos casos. Em março de 2025, um estudo clínico de fase 1 avaliou o uso do medicamento como PrEP com uma aplicação anual.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o lenacapavir entre as opções de PrEP. O medicamento se soma à prevenção oral diária ou sob demanda, ao cabotegravir de longa duração, ao uso de preservativos, ao diagnóstico precoce e ao tratamento antirretroviral.








