BUENOS AIRES — A Argentina extraditou nesta quarta-feira (9) para o Brasil o empresário argentino Diego Hernán Dirisio, acusado pelas autoridades brasileiras de vender armas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Ele foi levado sob custódia policial ao Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, e embarcou às 11h45 em um voo para São Paulo.
Conhecido como “Mestre das Armas”, Dirisio foi preso em fevereiro de 2024 na província argentina de Córdoba. A prisão ocorreu depois que o Brasil emitiu um mandado de prisão internacional e um alerta vermelho da Interpol contra ele e sua companheira, a ex-modelo paraguaia Julieta Vanessa Nardi Aranda.
O casal é acusado no Brasil de tráfico internacional de armas de fogo, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Em junho, a Suprema Corte argentina confirmou a autorização para a extradição dos dois. Nardi Aranda, porém, não viajou com Dirisio. O Ministério da Segurança Nacional da Argentina não informou o motivo.
Investigação sobre armas
De acordo com a investigação, uma empresa ligada ao casal importou milhares de armas da Croácia, da Turquia, da República Tcheca e da Eslovênia a partir de 2012. Os armamentos entravam legalmente no Paraguai e depois eram desviados para o Brasil.
Parte das armas teria chegado ao PCC e ao CV. Antes do transporte para o Brasil, elas eram modificadas em Ciudad del Este, no Paraguai, com a retirada dos números de série para dificultar o rastreamento.
A investigação brasileira começou em 2020, após uma apreensão de armas na Bahia, e levou a um processo por tráfico internacional de armas, crime organizado e lavagem de dinheiro.
A ministra da Segurança argentina, Alejandra Monteoliva, afirmou que Dirisio tentou se esconder na Argentina e que foi localizado, preso e extraditado. Em outubro de 2025, a Argentina declarou o CV e o PCC organizações narcoterroristas.








