A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA divulgou, em 4 de setembro de 2026, uma declaração pelo Dia do Trabalho com alertas sobre os efeitos da inteligência artificial e o avanço do desemprego entre os jovens.
O arcebispo Shelton J. Fabre afirmou que a economia deve priorizar o bem comum e proteger comunidades vulneráveis diante das mudanças tecnológicas. A avaliação dos bispos é que o crescimento dos indicadores tradicionais convive com salários estagnados e dificuldades de contratação.
A preocupação se concentra nos jovens e em trabalhadores negros, que enfrentam altas taxas de desemprego. Um quarto dos trabalhadores americanos ganha menos de US$ 35 mil por ano, enquanto a maioria dos empregos de baixa renda não oferece estabilidade. Esse cenário tornou a decisão de ter filhos inacessível para 70% da população dos Estados Unidos.
Alertas sobre a inteligência artificial
A tecnologia é apontada como fonte de ansiedade, principalmente entre os mais jovens, pelo receio de substituição de funções e aumento do desemprego. Para o arcebispo, a IA não é moralmente neutra e pode criar novas formas de exclusão.
Entre os riscos citados estão a desqualificação profissional, a vigilância excessiva e a criação de tarefas rígidas que reduzem a criatividade humana. A declaração também afirma que a tecnologia depende, muitas vezes, de trabalhadores de baixa renda submetidos a condições severas em cadeias de suprimentos.
Na visão dos bispos, o trabalho é uma forma de participação na criação divina, e não apenas um meio de sustento. Com base em documentos papais, como a encíclica Magnifica Humanitas, a liderança sustenta que sistemas de IA podem imitar a inteligência humana, mas não substituí-la. A tecnologia não consegue amar, sentir ou discernir a graça de Deus.
A orientação é desenvolver sistemas centrados na pessoa humana, para que a inovação sirva ao bem comum, e não somente ao lucro ou ao desempenho técnico de algumas corporações. Igreja, governo, sindicatos, grupos da sociedade civil e grandes empresas são convocados a atuar juntos na proteção da dignidade dos trabalhadores. A Revolução Industrial é citada como exemplo histórico de mobilização coletiva diante de mudanças econômicas.








