SANTA CRUZ DE LA SIERRA — O Ministério Público da Bolívia abriu uma investigação contra o ex-presidente Evo Morales e o ex-vice-presidente Álvaro García Linera por suspeitas de assassinato, tortura e privação de liberdade em uma operação policial de 2009. A ação deixou três homens mortos e dois presos.
A apuração começou depois de uma denúncia da senadora Tomasa Yarhui e de outros parlamentares do partido de oposição Libre. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, disse que o caso foi enviado ao Tribunal Supremo de Justiça. A Promotoria agora reúne informações para decidir se há elementos para levar os dois ex-governantes a julgamento.
Operação no hotel
A incursão policial ocorreu em 16 de abril de 2009, no Hotel Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra. Morreram o boliviano-croata Eduardo Rózsa Flores, o irlandês Michael Dwyer e o húngaro-romeno Arpad Magyarosi. Mario Tadic e Elöd Tóásó foram presos e depois relataram ter sido torturados.
Na época, o governo de Morales afirmou que o grupo preparava um movimento separatista em Santa Cruz, região de oposição ao então presidente. Morales estava na Venezuela durante a operação, mas declarou que havia dado a ordem. “Ontem, dei instruções precisas ao vice-presidente para realizar uma operação e prender esses mercenários”, afirmou na ocasião.
Familiares das vítimas e organizações de direitos humanos contestaram a ação e denunciaram possíveis execuções extrajudiciais e torturas. O caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que concluiu em 2021 que o Estado boliviano violou direitos humanos.
A investigação anterior foi encerrada em 2020, durante o governo interino de Jeanine Áñez. A Justiça determinou o fim do processo contra acusados de integrar o suposto grupo terrorista devido ao tempo excessivo de tramitação.
A nova apuração está no início. Um eventual julgamento de responsabilidades contra Morales e García Linera depende de autorização da Assembleia Legislativa da Bolívia, com apoio de dois terços dos parlamentares.








