A jurista sul-africana Navi Pillay brincou sobre a possibilidade de dividir o Prêmio Nobel da Paz com Donald Trump ao fazer sua primeira declaração após receber a premiação, nesta sexta-feira (9/10). Ela afirmou que talvez compartilhasse o prêmio com o presidente dos Estados Unidos se fosse mais aplaudida.
Pillay também questionou se a honraria era real. “Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade”, disse.
Na quarta-feira (7/10), dois dias antes do anúncio, Trump havia defendido que merecia receber o Nobel da Paz. Ele alegou ter impedido uma possível “destruição total do mundo” e citou ações de seu governo em conflitos internacionais como justificativa.
Atuação em direitos humanos
Durante a declaração, Pillay mencionou sua participação em um relatório sobre Gaza, que classificou o que ocorre na região como genocídio. Ela também afirmou que o reconhecimento de sua coragem a surpreendeu, porque considerava ter apenas aplicado a lei e analisado os fatos de forma imparcial.
A jurista disse ainda que continua como juíza ad hoc no processo movido pela Gâmbia contra Mianmar. Aos 85 anos, afirmou que não pretende interromper o trabalho de apoio à Academia dos Princípios de Nuremberg enquanto tiver condições de contribuir.
Nascida na província sul-africana de Natal, em 1941, Navi Pillay pertence à comunidade tâmil, de origem indiana. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província. Durante o apartheid, defendeu ativistas contrários ao regime e denunciou torturas e violações contra pessoas presas.
Ela também atuou na defesa jurídica de Nelson Mandela e de outros opositores do apartheid, regime de segregação racial que vigorou oficialmente na África do Sul entre 1948 e o início da década de 1990. Mandela ficou preso por 27 anos e, em 1993, dividiu o Nobel da Paz com Frederik de Klerk.
Após o fim do apartheid, Pillay foi nomeada, em 1995, juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994. Presidiu o tribunal entre 1999 e 2003 e, no mesmo ano, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
O Comitê Norueguês do Nobel destacou sua contribuição para a paz, o direito internacional e a responsabilização por violações. Em 2025, uma comissão da Organização das Nações Unidas presidida por Pillay concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou as conclusões.








