HUNGRIA — Cães conseguem identificar padrões sonoros em um fluxo contínuo de fala e usar essas regularidades para separar palavras, de acordo com um estudo da Universidade Eötvös Loránd. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (30) na revista Science.
Os pesquisadores concluíram que o cérebro canino faz cálculos estatísticos para perceber quais sons aparecem juntos com maior frequência. Dessa forma, o animal reconhece determinados grupos sonoros como unidades, mesmo quando não há pausas claras entre as palavras.
O papel das consoantes
O estudo também identificou um viés consonantal no processamento da fala. Em cães e humanos, as consoantes ajudam mais a indicar onde uma palavra começa e outra termina. Embora as vogais tenham maior energia acústica, o cérebro dos cães prioriza a sequência de consoantes para organizar os sons ouvidos.
A pesquisa avaliou ainda a sincronização neural, que é a capacidade das células cerebrais de acompanhar o ritmo dos sons em tempo real. Para monitorar essa atividade, os cientistas usaram eletroencefalografia (EEG), método não invasivo e indolor que registra as ondas elétricas do cérebro por meio de eletrodos colocados no couro cabeludo do animal.
As respostas cerebrais mais intensas foram registradas entre 450 a 550 milissegundos após o início de uma palavra. Para os pesquisadores, o resultado indica que o cérebro canino tenta ativamente segmentar a fala ouvida.
A descoberta não demonstra que os cães compreendem o significado exato de tudo o que é falado, nem que acompanham o contexto de conversas longas ou dominam frases complexas. O estudo mostra que eles reconhecem a estrutura da fala e identificam palavras isoladas. Os humanos, porém, processam os sons com uma resolução mais fina.







