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Eleição brasileira mobiliza EUA, China e Argentina por interesses estratégicos

As três nações acompanham a disputa por razões econômicas, geopolíticas e de segurança, segundo analistas e declarações oficiais.

Eleição brasileira mobiliza EUA, China e Argentina por interesses estratégicos

Estados Unidos, China e Argentina acompanham de perto a eleição presidencial brasileira, cujo primeiro turno será realizado no domingo (4). O interesse desses países envolve comércio, geopolítica, segurança e acesso a recursos estratégicos, segundo análises de Allan Gallo e João Alfredo Lopes Nyegray.

China, Estados Unidos e Argentina são os principais destinos das exportações brasileiras e estão entre os quatro maiores fornecedores de produtos ao Brasil, conforme dados da plataforma Observatório de Complexidade Econômica (OEC). A China e os Estados Unidos aparecem nas duas primeiras posições das importações, enquanto a Argentina fica atrás também da Alemanha.

Relações com China e Estados Unidos

Gallo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que a relação comercial com a China tende a resistir a mudanças de governo. Segundo ele, soja, minério e petróleo continuam sendo vendidos ao país que oferecer melhores condições.

O analista disse que o capital chinês no Brasil busca preservar ativos, previsibilidade regulatória e evitar a adoção de restrições tecnológicas formuladas pelos Estados Unidos. Já o interesse americano seria mais político do que econômico. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump desde 2025 fizeram os Estados Unidos responderem por 9,4% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano, a menor participação desde 1997.

Gallo também apontou o interesse nas reservas brasileiras de terras raras, estimadas em cerca de 21 milhões de toneladas. O Brasil, porém, tem pouca capacidade de processamento e refino, etapas que concentram maior valor estratégico. Por isso, Estados Unidos, China e União Europeia demonstram interesse nesse setor.

Em julho, Xi Jinping disse, em telefonema com Luiz Inácio Lula da Silva, que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e na oposição a interferências externas. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Amanda Roberson, afirmou que Washington acompanha a eleição e espera que ela seja livre e transparente.

Argentina e segurança regional

O presidente argentino, Javier Milei, declarou durante a Assembleia Geral da ONU que esperava uma mudança no rumo político brasileiro. Milei também discursou em julho na convenção do PL em São Paulo, que confirmou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Para Gallo, a relação entre Argentina e Brasil combina dependência econômica e atrito político. Uma eventual vitória da oposição poderia aproximar os governos e aumentar a pressão por um Mercosul mais flexível. Uma vitória governista manteria o conflito político, mas a integração econômica continuaria relevante.

Nyegray, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, afirmou que a eleição interessa aos Estados Unidos também por causa da segurança nas Américas. O governo Lula não aderiu ao Escudo das Américas, iniciativa que Washington considera parte de sua estratégia regional. Uma mudança de governo poderia ampliar a cooperação em inteligência, sanções e operações de segurança.

Na semana passada, 14 países latino-americanos e caribenhos anunciaram a designação de 24 organizações criminosas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, como grupos terroristas e aplicaram sanções contra elas. O governo Lula rejeita essa classificação e se opõe à abordagem militar para enfrentar o crime organizado.

Nyegray também citou Cuba e as Ilhas Malvinas como temas de interesse. Segundo ele, Washington busca reduzir influências externas consideradas hostis, enquanto Milei teria interesse em um presidente brasileiro mais incisivo na reivindicação argentina pelas ilhas controladas pelo Reino Unido. A União Europeia também acompanha a eleição por causa do acordo com o Mercosul, que ainda enfrenta contestação jurídica.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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