A Conferência Episcopal Mexicana promove, entre 14 e 16 de outubro, um colóquio na Cidade do México para revisar a história da Cristiada, ou Guerra Cristera, conflito religioso que começou em 1926 e envolveu católicos armados contra autoridades civis.
O secretário-geral da Conferência Episcopal Mexicana, Dom Héctor Mario Pérez Villarreal, afirmou que o episódio foi apagado dos livros de história do México. Também bispo auxiliar da Arquidiocese do México, ele disse que o evento não pretende exaltar a violência, mas destacar o testemunho de fé de mexicanos que defenderam a liberdade religiosa.
Contexto do conflito
A insurreição ocorreu em meio a tensões entre a Igreja e o Estado mexicano, que remontavam à segunda metade do século XIX. O confronto se intensificou após a entrada em vigor da chamada Lei Calles, em 31 de julho de 1926. A norma restringiu o culto público e a vida religiosa dos católicos.
Pérez Villarreal declarou que a legislação violava o direito à liberdade de fé e de expressão religiosa. Para ele, a Cristiada não representou apenas um confronto com o clero, mas um ataque à liberdade religiosa de toda a população. “Os direitos universais não são concedidos pelo Estado; eles são garantidos por ele”, afirmou.
O sacerdote Juan Carlos Casas García, diretor do Departamento de História Eclesiástica da Universidade Pontifícia do México e do Departamento de História e Arte da Conferência Episcopal Mexicana, afirmou que a resistência católica também incluiu ações pacíficas de pessoas que tiveram seus direitos restringidos.
O colóquio reúne especialistas do México e de outros países. A programação inclui palestras na Plaza Mariana da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e no auditório da Universidade Pontifícia do México. O objetivo é ampliar a compreensão sobre esse período, considerado doloroso e marcado por testemunhos de fé.
O evento é organizado pela Conferência Episcopal Mexicana, pela Universidade Pontifícia do México e pela Sociedade Mexicana de História Eclesiástica. A participação pode ocorrer presencialmente ou pelas redes sociais das duas primeiras instituições.







